O caldeirão político de Patos voltou a ferver, e desta vez o fogo veio direto do Tribunal de Contas do Estado. Um relatório inicial do processo nº 01830/25, assinado pela Diretoria de Auditoria e Fiscalização do TCE-PB, joga luz — e muita sombra — sobre a gestão da presidente da Câmara Municipal de Patos, Valtide Paulino Santos.
A denúncia partiu do vereador Josmá Oliveira da Nóbrega, e o que era um rumor de bastidor ganhou contornos de escândalo oficial. O documento, datado de 22 de setembro de 2025, descreve um festival de contratações suspeitas, vínculos cruzados e favorecimentos descarados, dignos de novela de corrupção com roteiro previsível.
Entre os “achados” da auditoria, estão empresas ligadas a servidores comissionados da própria Prefeitura de Patos, que simultaneamente prestavam serviços (e recebiam) da Câmara. O relatório cita nomes e CNPJs com precisão cirúrgica — Daniel José de Almeida, Ademar Gouveia da Silva Filho, Vicente de Paula Conserva Júnior e Thiago Paiva Freitas Vieira figuram como personagens centrais da trama.
Um detalhe pitoresco: Daniel José de Almeida, além de Secretário Executivo de Comunicação da Prefeitura, mantém contrato ativo com a Câmara — um duplo papel que o Estatuto Municipal de Patos proíbe expressamente. Outro caso que beira a ficção: Thiago Paiva Freitas Vieira, gerente financeiro da STTRANS, assinou contrato de R$ 16 mil como sócio da empresa Vértice Contabilidade Pública e Empresarial Ltda — também com a Câmara.
Mas a história não para aí. A Associação de Moradores do Conjunto Noé Trajano, presidida por uma servidora com cargo comissionado na Biblioteca Municipal, recebeu mais de R$ 13 mil em contratos da Câmara, assinados pela própria beneficiária.
O TCE foi direto: há “indícios de incompatibilidade funcional” e necessidade de explicações imediatas por parte da gestora. Em bom português, há cheiro de irregularidade no ar.
Outras denúncias — como o uso indevido de verbas para cerimonial, combustíveis e “blogs amigos” — também foram analisadas. Algumas foram consideradas improcedentes, mas o relatório não livrou totalmente a barra da Câmara: pagamentos fatiados a sites e blogs politicamente alinhados levantaram suspeitas sobre o uso da máquina pública para autopromoção.
A cereja do bolo veio na conclusão: o TCE opinou pela “procedência parcial” da denúncia, recomendando que Valtide Paulino apresente defesa formal e documentos que provem a lisura das contratações. Traduzindo: o caso está longe de ser encerrado — e pode virar uma dor de cabeça política e jurídica de proporções consideráveis.
Enquanto isso, a população de Patos assiste de camarote à mais nova temporada da série “A Câmara é Nossa” — onde os capítulos se escrevem com notas fiscais, cargos comissionados e contratos cruzados.
- Nosso portal disponibiliza o espaço para os envolvidos se pronunciarem, caso tenham interesse.
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