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Proteção da estátua de Iemanjá é quebrada durante briga em João Pessoa

Proteção da estátua de Iemanjá é quebrada durante briga em João Pessoa
Foto: Antônio Vieira / TV Cabo Branco

A orla do Cabo Branco, em João Pessoa, foi palco de um novo incidente envolvendo a estátua de Iemanjá nesta sexta-feira (16 de outubro). A proteção de vidro que envolve o monumento foi quebrada durante uma briga entre dois homens, gerando preocupação entre frequentadores e autoridades locais sobre a segurança do patrimônio religioso na capital paraibana.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um catador de materiais recicláveis e um cidadão colombiano se desentenderam nas proximidades do monumento. De acordo com a Guarda Civil Municipal, os envolvidos arremessaram pedras um contra o outro durante a confusão, e um dos projéteis atingiu acidentalmente a estrutura de vidro que protege a imagem da orixá.

Conflito termina em detenção e conciliação na delegacia

Após o incidente, os dois homens foram detidos e encaminhados à Cidade da Polícia Civil, localizada no bairro do Geisel. O desentendimento, que resultou no dano ao patrimônio público, teve um desfecho inesperado na unidade policial, onde os ânimos foram acalmados pelos agentes de segurança.

Segundo informações da Guarda Municipal, os envolvidos decidiram fazer as pazes ainda durante o procedimento policial. A ocorrência foi formalizada por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), e ambos foram liberados logo em seguida, após o registro dos fatos e a constatação de que não houve intenção direta de vandalizar o monumento.

Ministério Público apura recorrência de danos ao monumento

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) agiu prontamente e instaurou um procedimento para acompanhar a apuração do caso. A promotora de Justiça Fabiana Maria Lobo da Silva, da 46ª Promotoria de Justiça da Cidadania, assinou o despacho que solicita informações detalhadas à Secretaria Municipal de Segurança Pública de João Pessoa.

O órgão deu um prazo de dez dias úteis para que o município informe se as câmeras de monitoramento identificaram os responsáveis diretos pelo dano. Além disso, a Delegacia Especializada de Crimes Homofóbicos, Racismo e Intolerância Religiosa (DECRHADI) foi acionada para investigar o caso, com um prazo de 30 dias para a conclusão do inquérito.

Reincidência de vandalismo em menos de um mês

Este episódio marca a segunda vez que a proteção da estátua de Iemanjá é danificada em um curto período. Em 19 de setembro, o sistema de videomonitoramento Smart City capturou uma mulher lançando uma pedra contra a estrutura, o que já havia motivado uma investigação anterior pelo Ministério Público.

A estátua é um pilar central para as religiões de matriz africana na capital, sendo um local de grande valor espiritual para praticantes do candomblé e da umbanda. A praça onde o monumento reside é tradicionalmente utilizada para oferendas e celebrações religiosas significativas, representando a diversidade cultural da região.

Preservação e histórico de ataques ao símbolo religioso

O histórico de violência contra a imagem é extenso e reflete desafios constantes de tolerância religiosa. Em 2013, vândalos arrancaram a cabeça e as mãos da estátua. Três anos depois, em 2016, o monumento foi novamente alvo de decapitação, exigindo restaurações complexas financiadas pelo poder público.

Recentemente, a Praça de Iemanjá passou por uma ampla revitalização, entregue em setembro de 2025. O projeto, que incluiu a instalação da proteção de vidro agora danificada, teve um investimento público de R$ 662,7 mil. Para mais detalhes sobre a preservação de patrimônios culturais e religiosos, acesse o portal do Iphan.


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