Artista plástico patoense restaura pessoalmente 12 murais criados em 1972, enquanto a Prefeitura realiza melhorias no prédio da antiga Rodoviária, no Centro da cidade.
A recuperação de uma parte importante da memória artística de Patos está ganhando um significado especial para o artista plástico Perigo Neto. Depois de décadas expostos à ação do tempo, às pichações e ao vandalismo, os 12 painéis que ele criou em 1972 estão sendo restaurados pelo próprio autor, durante os serviços de revitalização do prédio da antiga Rodoviária, onde atualmente funciona o terminal de integração do transporte alternativo de passageiros e estudantes.
A obra de restauração representa mais do que a recuperação de pinturas antigas. Para o artista, é a oportunidade de reencontrar um trabalho que ajudou a eternizar a cultura sertaneja, mas que, durante muitos anos, permaneceu sem os cuidados necessários à sua preservação. O reencontro com os próprios murais ganha um significado particular diante da possibilidade de devolver à população um patrimônio artístico que faz parte da história da cidade.
Os painéis foram inaugurados em setembro de 1972, durante a gestão do então prefeito Olavo Nóbrega, nas comemorações dos 150 anos da Independência do Brasil. As pinturas retratam cenas do cotidiano nordestino, incluindo feiras livres, manifestações religiosas, vendedores, cangaceiros e paisagens urbanas.
Ao longo das décadas, a falta de conservação comprometeu a aparência das obras. Agora, Perigo Neto está pessoalmente à frente da recuperação, trabalhando para devolver visibilidade aos detalhes e às cores originais de um conjunto artístico que atravessou gerações.
Revitalização vai além dos painéis artísticos
A Prefeitura de Patos também está executando uma série de melhorias na antiga Rodoviária. Os serviços incluem nova pintura interna e externa, remoção de pichações, recuperação dos banheiros e intervenções estruturais. O espaço já recebeu grades de proteção, e o projeto prevê a substituição dos bancos e a implantação de um novo projeto de jardinagem.
Outra medida anunciada é o fechamento do prédio durante a madrugada, após a saída dos estudantes que utilizam o terminal, com reabertura nas primeiras horas da manhã. A iniciativa busca melhorar a organização e a segurança do espaço.
Ao comentar as mudanças, Perigo Neto destacou a transformação do ambiente. “Essa aqui da atual administração é um conjunto de mudança total, porque está mudando o ambiente, está produzindo mais segurança”, afirmou o artista.
A expectativa é que os serviços sejam concluídos até 24 de outubro, data em que Patos celebra o aniversário da elevação à categoria de cidade.


Patrimônio cultural recupera seu lugar na história
A restauração dos 12 painéis recoloca em evidência uma questão importante para a memória de Patos: a necessidade de preservar obras que contam a história da população e de sua identidade cultural.
Para Perigo Neto, recuperar pessoalmente os murais significa reencontrar uma criação que permaneceu por anos submetida ao abandono e à deterioração. A intervenção oferece a oportunidade de devolver dignidade artística a um trabalho concebido há mais de cinco décadas.
Mais do que renovar as instalações de um terminal utilizado diariamente pela população, a revitalização permite que uma parte da história cultural patoense volte a ser vista e valorizada por quem passa pelo local. Afinal, preservar a arte também é reconhecer a história de quem ajudou a construir a identidade de uma cidade.
leia58.blog – Marcelo Negreiros – DRT-2974/PB
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