O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em oitiva prestada à Polícia Federal (PF) que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), assumiria o cargo de CEO do Banco Master caso a compra da instituição pelo banco estatal fosse concluída. O depoimento foi realizado na Papudinha, em Brasília, local onde Vorcaro se encontra preso.
Durante as declarações prestadas às autoridades, o ex-dono do Banco Master detalhou a estrutura das negociações e abordou pontos centrais das investigações que apuram possíveis irregularidades financeiras e repasses indevidos entre as partes envolvidas.
Depoimento detalha uso de imóveis de luxo e articulações
Segundo as declarações de Vorcaro, Costa teria permissão para usufruir de imóveis de luxo avaliados em R$ 146,5 milhões assim que assumisse a liderança do novo banco. As investigações da PF apontavam essas propriedades como possível pagamento de propina ao executivo.
Entretanto, Vorcaro alegou aos investigadores que os imóveis localizados em São Paulo e Brasília representavam investimentos empresariais, e não bens transferidos diretamente ao patrimônio de Costa. Mensagens obtidas pela perícia revelam que o ex-presidente do BRB chegou a visitar as propriedades negociadas.
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, a gestão dos imóveis era realizada de forma indireta por meio de empresas e estruturas que dificultavam a identificação dos reais beneficiários. As apurações resultaram na prisão do ex-presidente do BRB em abril de 2026.
Operação financeira foi barrada pelo Banco Central
Apesar dos acordos citados no inquérito, a aquisição do Banco Master pelo BRB não chegou a ser concretizada. A operação foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025, impedindo a união entre as instituições financeiras.
O depoimento de Vorcaro integra as investigações que apuram a venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas à instituição estatal. Atualmente, o BRB enfrenta desafios em sua situação financeira e busca obter empréstimos bilionários para cobrir perdas operacionais.
Defesa nega fraude bilionária e questiona investigações
A defesa técnica de Daniel Vorcaro contesta as acusações apresentadas no inquérito policial. Os advogados sustentam que não houve qualquer fraude no montante de R$ 12 bilhões mencionado nas apurações.
Além disso, os representantes jurídicos argumentam que a transação financeira envolvendo a empresa Tirreno não foi finalizada, razão pela qual alegam ausência de irregularidades na conduta do ex-banqueiro.
Fonte: revistaoeste.com
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