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Nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia redefine tratamento da insuficiência cardíaca

Nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia redefine tratamento da insuficiência cardíaca
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A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou, nesta quinta-feira, 8, uma nova diretriz voltada ao manejo da insuficiência cardíaca (IC). A condição, que atinge entre 2 e 4 milhões de brasileiros, é apontada como um dos principais fatores de mortalidade em indivíduos com mais de 60 anos. O documento busca reverter um cenário preocupante, no qual pacientes hospitalizados pela doença enfrentam um risco de morte até quatro vezes superior ao de vítimas de infarto.

O anúncio ocorreu durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, em paralelo ao Congresso Mundial de Cardiologia. Com a participação de 15 mil especialistas, o evento reforçou a necessidade de ampliar a conscientização sobre sintomas frequentemente negligenciados, como o inchaço nas pernas e a falta de ar persistente, que muitas vezes são atribuídos erroneamente ao envelhecimento natural.

Aceleração na introdução de terapias medicamentosas

Uma das mudanças mais significativas na nova diretriz diz respeito à celeridade no início do tratamento farmacológico. Anteriormente, o protocolo clínico previa a introdução gradual das medicações, com intervalos longos entre cada etapa. A recomendação atual prioriza o uso precoce e intensivo das quatro classes terapêuticas essenciais para a IC de fração de ejeção reduzida (ICFEr).

O objetivo é atingir as doses terapêuticas máximas em um período de dois meses, reduzindo drasticamente o prazo anterior de seis meses. O arsenal terapêutico inclui inibidores da neprisilina e do receptor de angiotensina (INRA), betabloqueadores, antagonistas da aldosterona e inibidores de SGLT-2. Todas essas opções estão disponíveis na rede pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Inovações no manejo da insuficiência cardíaca preservada

Para os casos de insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada (ICFPe), frequentemente associada a quadros de obesidade e diabetes, a diretriz incorpora novas moléculas. A finerenona, originalmente indicada para doenças renais crônicas, passa a ser recomendada por sua capacidade de inibir a aldosterona sem causar os efeitos colaterais hormonais típicos de outros fármacos.

Além disso, o documento valida o uso de análogos de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. Além de auxiliarem no controle do peso, esses medicamentos demonstram eficácia na redução da inflamação sistêmica que compromete a saúde do músculo cardíaco, oferecendo uma nova perspectiva de tratamento para pacientes com comorbidades metabólicas.

Abordagem multidisciplinar e estilo de vida

A nova diretriz enfatiza que o tratamento eficaz transcende a prescrição de remédios. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, é considerado indispensável para a melhoria da qualidade de vida. Centros especializados em IC tornam-se o padrão ouro para o acolhimento desses pacientes.

A prática de exercícios físicos, antes vista com cautela, agora é consolidada como pilar fundamental do tratamento, desde que realizada sob supervisão médica. A atividade física auxilia na preservação da massa magra e na capacidade cardiorrespiratória. Paralelamente, a vacinação é destacada como medida preventiva crítica, uma vez que infecções respiratórias podem descompensar o quadro cardíaco e elevar o risco de eventos graves.

Por fim, a SBC esclarece que não há evidências científicas robustas que sustentem o uso de suplementos populares, como ômega-3, coenzima Q10 ou vitamina D, no manejo da insuficiência cardíaca. A recomendação é focar nas terapias comprovadas e no acompanhamento clínico rigoroso.


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