O governo dos Estados Unidos contestou oficialmente informações que foram usadas para justificar a prisão preventiva de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. De acordo com o U.S. Customs and Border Protection (CBP), não há registros da entrada de Martins em território americano em 30 de dezembro de 2022, data utilizada como base para a medida cautelar.
Em comunicado, o CBP afirma ter realizado uma “análise completa das evidências disponíveis” e concluiu que não há registro da entrada de Martins no país. A alega que o registro incorreto foi incluído de forma errônea nos sistemas oficiais e está sob investigação.
“O CBP condena veementemente qualquer uso indevido desta entrada falsa para embasar a condenação ou prisão do Sr. Martins ou de qualquer pessoa. Reafirmamos nosso compromisso com a integridade dos registros de fronteira e com os princípios de justiça e direitos humanos”, diz o comunicado.
Filipe Martins foi preso em 2024 no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. A alegação era de que ele teria viajado com a comitiva presidencial para a Flórida na data em questão. Sua defesa alega que ele permaneceu no Brasil e apresentou como prova registros de celular, transações bancárias e deslocamentos internos. A defesa também apontou erros no documento utilizado, como a grafia incorreta do nome e o uso de um passaporte cancelado.
O advogado de Martins, Ricardo Fernandes, classificou a nota do CBP como “grave” e afirmou que ela confirma que seu cliente foi mantido preso de forma abusiva e ilegal por mais de seis meses. Segundo Fernandes, a investigação americana, que inclui o CBP e o FBI, busca identificar quem inseriu ou alterou o registro migratório e se houve envolvimento de autoridades brasileiras.
Em janeiro de 2025, Martins abriu uma ação nos Estados Unidos, no Tribunal Distrital da Flórida, com base na Lei de Acesso à Informação americana (Freedom of Information Act), para esclarecer a suposta fraude nos registros.
Fonte: jovempan.com.br










