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A TRAJETÓRIA DO ÁLBUM GRUNGE DE MARIAH CAREY

Redescobrindo o Álbum Alternativo de Mariah Carey: A História de Someone’s Ugly Daughter

O universo musical da vivaz Mariah Carey é frequentemente lembrado por seus hits pop que dominaram as paradas, mas há um aspecto menos explorado — quase mítico — de sua carreira: o projeto alternativo Someone’s Ugly Daughter. Lançado nos anos 90 sob o pseudônimo da banda fictícia Chick, o disco revela uma faceta grunge/rock da artista.

Chick – Someone’s Ugly Daughter (1995)
Crédito: Divulgação / Chick – Someone’s Ugly Daughter (1995)

Esse projeto tornou-se uma curiosidade entre fãs e críticos, enfatizando não apenas a versatilidade de Carey, mas também sua busca por autonomia criativa. A artista trouxe à luz essa parte de sua trajetória em sua autobiografia, The Meaning of Mariah Carey. Recentemente, a história voltou aos holofotes durante a semana do Grammy 2026, quando Carey recebeu honras no evento da MusiCares. Durante a celebração, Foo Fighters e Taylor Momsen apresentaram ao vivo faixas do álbum, reacendendo o interesse por esse projeto que, durante tanto tempo, ficou envolto em mistério.

O Contexto: O Surgimento do Grunge na Música

Nos anos 90, a música pop passava por uma transformação significativa. O tom exuberante e polido dos anos 80 estava cedendo espaço a uma sonoridade mais crua e introspectiva, à medida que o grunge ganhava força.

A explosão do Nirvana com Nevermind em 1991 não apenas alterou o cenário musical, mas também redefiniu a busca por autenticidade nas produções. Bandas como Pearl Jam e Alice in Chains cimentaram uma nova estética que valorizava guitarras distorcidas e letras reflexivas, desafiando o glamour antes reverenciado na indústria.

Mariah Carey em um Novo Horizonte

Enquanto o rock alternativo dominava os palcos de rádio e TV, Mariah Carey desfrutava de seu auge no pop adulto contemporâneo. Entre 1990 e 1994, seus números nas paradas foram impressionantes, solidificando sua posição como uma das artistas proeminentes da época. Sua imagem, cuidadosamente esculpida, era marcada por uma voz excepcional e produções sofisticadas.

Contudo, conforme as tendências culturais evoluíam, Carey decidiu aventurar-se em um território menos convencional com Someone’s Ugly Daughter.

Uma Experiência Criativa à Parte

No auge de seu sucesso comercial, Carey optou por investigar uma sonoridade alternativa que contrastava com sua persona pop. Esse projeto não foi uma ruptura pública, mas um espaço privado para experimentação. Em 1995, enquanto promovia Daydream, a artista começou a gravar material que se distanciava do que o público esperava, incluindo letras mais ousadas e um som mais robusto.

Lançado sob o nome da banda Chick, o álbum empilhava influências do rock alternativo, mas com uma peculiaridade: os vocais de Carey foram substituídos por outra cantora na edição final, um movimento estratégico para manter sua imagem intacta na indústria. Em sua autobiografia, Carey revelou que versões com sua própria voz existem, mas que a gravadora decidiu manter essa dissociação para evitar conflitos de mercado.

O Reavivamento do Interesse pelo Álbum

Durante anos, Someone’s Ugly Daughter foi uma curiosidade para os fãs mais dedicados, mas isso mudou drasticamente na semana do Grammy de 2026. Na cerimônia do MusiCares, que celebra artistas por suas contribuições à indústria e causas humanitárias, Carey foi homenageada, trazendo à tona sua fase alternativa.

Foo Fighters e Taylor Momsen apresentaram um medley com “Hermit” e “Love Is a Scam”, destacando a importância do álbum em sua carreira. Essa performance não apenas valorizou um capítulo menos conhecido, mas também reafirmou a criatividade autêntica de Carey.

O Legado Conturbado de Someone’s Ugly Daughter

Embora o álbum ainda não esteja disponível de maneira integral nas principais plataformas de streaming, sua influência ressoa através dos rumores de uma possível remasterização com os vocais originais de Carey. Para ouvir o projeto, os fãs devem recorrer a vídeos no YouTube, onde versões completas estão acessíveis.

A ausência de uma edição oficial do álbum em serviços de streaming perpetua seu status cult. Quase três décadas após sua gravação, Someone’s Ugly Daughter permanece um capítulo enigmático na discografia de Mariah Carey.

Um Legado em Construção

A recente homenagem no MusiCares reforçou que, embora concebido dentro de um contexto alternativo, o álbum deve ser reconhecido como parte integrante da narrativa de Mariah Carey. De um lançamento discreto em 1995 a um redescobrimento moderno em 2026, sua história ilustra as complexidades da liberdade criativa e da identidade musical.

O que antes era considerado um mero experimento agora se ergue como um símbolo de uma carreira multifacetada. À medida que a reavaliação continua a gerar conversas sobre sua relevância, duas perguntas persistem: onde está esse álbum? E por que ele nunca foi lançado com a voz de Mariah?

Assista a seguir aos videoclipes de “Malibu” e “Demented”, faixas lançadas como parte do projeto de Chick, onde os vocais principais são atribuídos a Clarissa Dane, com a participação de Mariah nos backing vocals. Ambas estão disponíveis nas plataformas digitais.

Confira também um trecho da entrevista com Carey no The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, onde ela discutiu a interrupção de uma transmissão ao vivo do filho e voltou a mencionar seu “álbum secreto”.

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