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Mãe africana relata surpresa após dar à luz quadrigêmeos em hospital

Mãe africana relata surpresa após dar à luz quadrigêmeos em hospital
Foto: Janinne Vivian /g1

A descoberta de uma gravidez múltipla transformou a rotina de Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos, natural do Mali. Ao saber que esperava quatro bebês simultaneamente, a gestante enfrentou um misto de espanto e alegria, precisando reorganizar o planejamento familiar de forma repentina. Diante da complexidade de uma gestação de alto risco, ela decidiu buscar suporte médico no exterior, encontrando na capital da Paraíba a estrutura necessária para o acompanhamento especializado.

A viagem ocorreu em 5 de setembro, quando a mãe desembarcou com 28 semanas de gestação para se abrigar na residência de uma prima. A mobilização envolveu familiares e profissionais de saúde diante da fragilidade do sistema médico em seu país de origem. O desfecho ocorreu em 14 de outubro, com o nascimento histórico dos quadrigêmeos na rede pública municipal, marcado pela mobilização de dezenas de profissionais entre médicos, enfermeiros e técnicos dedicados ao suporte materno-infantil.

Busca por assistência médica internacional

A decisão de cruzar o oceano rumo ao Brasil surgiu da preocupação com as condições oferecidas pelo sistema de saúde no Mali. A rede de apoio familiar articulou a viagem para garantir melhores condições de sobrevida aos recém-nascidos e segurança à gestante. Especialistas apontam que a infraestrutura hospitalar adequada foi determinante para o sucesso do procedimento em uma situação considerada de alto risco clínico.

Enquanto a mãe permanecia acolhida na capital paraibana, o cônjuge organizou os preparativos iniciais da estadia antes de retornar ao território africano para manter o sustento do lar. A distância física passou a ser superada por meio de ligações e ferramentas digitais de comunicação, mantendo o vínculo familiar ativo durante todas as etapas do pré-natal e do pós-parto.

Tradição religiosa e significado familiar

A chegada dos quatro novos integrantes possui raízes profundas nas crenças da família, seguidora da religião muçulmana. Para o grupo, a expansão da prole representa um valor cultural relevante e um cumprimento de preceitos tradicionais. Antes da chegada dos quadrigêmeos, a mãe já criava outros dois filhos no continente africano, totalizando agora uma prole expressiva que exigirá novas adaptações na rotina doméstica.

O registro civil dos recém-nascidos contemplou a escolha conjunta de nomes tradicionais pelos pais, homenageando avós e antepassados. Três meninos e uma menina compõem o grupo de irmãos, cujos cuidados exigem atenção redobrada devido à condição de prematuridade com que vieram ao mundo, pesando inicialmente entre 1,3 kg e 1,5 kg.

Desenvolvimento e rotina no método canguru

Após passarem pelas etapas iniciais em unidades de terapia intensiva, os bebês foram transferidos para o setor especializado em estímulo ao contato pele a pele. A estratégia favorece a recuperação do peso e fortalece o vínculo afetivo com a genitora, que realiza os procedimentos em revezamento para evitar exaustão física.

A nutrição dos recém-nascidos é monitorada por equipes multidisciplinares, combinando leite materno e substâncias pasteurizadas fornecidas por bancos especializados. O suporte alimentar ocorre por meio de sondas em pequenas frações para assegurar a tolerância gástrica e minimizar riscos de regurgitação durante o processo de ganho ponderal.

Apoio solidário e marco histórico na saúde

O nascimento dos quatro irmãos representou um marco inédito na trajetória secular da instituição obstétrica paraibana, exigindo esforço integrado de equipes de neonatologia e obstetrícia. A permanência da família no hospital segue sem data definitiva para encerramento, aguardando a estabilização clínica completa dos recém-nascidos.

Para suprir as demandas cotidianas do quarteto, que consome dezenas de itens de higiene diariamente, a rede de apoio familiar recorre a campanhas de solidariedade. Doações de mantimentos e vestimentas podem ser direcionadas ao serviço de assistência social da unidade hospitalar onde a mãe permanece alojada, conforme detalhado em reportagem do g1 Paraíba.


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