O endividamento do governo voltou a subir em julho, refletindo alta na dívida bruta e ritmo de ajuste ainda insuficiente para reduzir o peso das contas públicas.
Em termos nominais, a dívida também aumentou, enquanto indicadores como a dívida líquida do setor público registraram piora, pressionando perspectivas fiscais.
Os dados são do Banco Central, e trazem números detalhados sobre dívida bruta, dívida líquida e o resultado primário, conforme informação divulgada pelo Banco Central.
Quanto subiu a dívida bruta
O endividamento do governo medido pela Dívida Bruta do Governo Geral avançou de 81,9% do PIB em junho para 82,5% em julho. Esse é o maior patamar desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB. Em valores nominais, a dívida passou de R$ 10,809 trilhões para R$ 10,947 trilhões.
O pico da série ocorreu em dezembro de 2020, com 87,6% do PIB, devido às medidas fiscais no início da pandemia de covid, enquanto o menor nível registrado foi em dezembro de 2013, com 51,5% do PIB.
Divergência por conceito e evolução da dívida líquida
Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional, que difere do usado pelo BC, a dívida bruta caiu de 95,8% do PIB em junho para 95,4% no mês passado. Já a Dívida Líquida do Setor Público, que considera as reservas internacionais, subiu de 68,5% do PIB em junho para 69,1% em julho, e em reais atingiu R$ 9,165 trilhões.
Essas diferenças de metodologia são relevantes para investidores e agências de risco, pois influenciam a avaliação da capacidade de solvência do País.
Resultado primário em julho e no acumulado de 12 meses
No mês de julho, o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 1,361 bilhão, depois de um déficit de R$ 55,313 bilhões em junho. Em julho de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 66,566 bilhões.
O governo central registrou superávit primário de R$ 10,975 bilhões, enquanto Estados e municípios tiveram resultado negativo de R$ 8,502 bilhões, e empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,112 bilhão. Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 6,880 bilhões, e os municípios, resultado negativo de R$ 1,623 bilhão.
No acumulado em 12 meses encerrados em julho, o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 89,320 bilhões, o equivalente a 0,67% do PIB. Esse saldo se tornou menos negativo em comparação com junho, quando o rombo era de 1,19% do PIB, e é o menor déficit como proporção do PIB desde fevereiro de 2026, quando foi de 0,41%.
O governo central tem déficit primário acumulado de R$ 72,403 bilhões, ou 0,55% do PIB. Estados têm déficit de R$ 16,824 bilhões, ou 0,13% do PIB. Municípios apresentam saldo positivo de R$ 7,488 bilhões, ou 0,06% do PIB. As empresas estatais têm déficit de R$ 7,580 bilhões, ou 0,06% do PIB.
O que isso significa para as contas públicas
O aumento do endividamento do governo eleva a pressão sobre o orçamento futuro, pois parte maior da receita pode ser direcionada para pagamento de juros e rolagem da dívida, reduzindo espaço para investimentos e políticas sociais.
Agências de classificação de risco e investidores acompanham de perto indicadores como a Dívida Bruta do Governo Geral e a Dívida Líquida do Setor Público para avaliar o risco de solvência do País, e números em alta tendem a aumentar o custo de financiamento.
Em um cenário de dívida crescente, medidas fiscais que revertam a trajetória, aumento de arrecadação ou redução de gastos são determinantes para estabilizar indicadores e recuperar margem fiscal.
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