O prestigiado Festival de Cannes, em sua 79ª edição, anunciou a seleção de “La perra”, um filme chileno que conta com a participação do renomado ator brasileiro Selton Mello. Dirigido pela chilena Dominga Sotomayor e roteirizado por Inés Bortagaray, o longa-metragem foi escolhido para integrar a Quinzena dos Realizadores, uma das mostras paralelas mais importantes do evento cinematográfico. A notícia destaca a presença latino-americana em um dos maiores palcos do cinema mundial, com o filme protagonizado por Manuela Oyarzún.
A seleção para a Quinzena dos Realizadores representa um reconhecimento significativo para a produção, que adapta o romance homônimo da escritora Pilar Quintana. A trama de “La perra” mergulha na vida de Silvia, uma personagem solitária que reside em uma ilha remota no sul do Chile. Sua jornada toma um novo rumo ao resgatar uma cachorra filhote, a quem batiza de Yuri, o mesmo nome que reservava para a filha que nunca teve. Além de Selton Mello e Manuela Oyarzún, o elenco é composto por David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca e Rafaella Grimberg.
A trama de “La perra” e o elenco internacional
A narrativa de “La perra” é construída em torno da complexidade das relações humanas e da busca por conexão em ambientes isolados. Silvia, a protagonista, encarna a solidão e o anseio por maternidade, encontrando na figura de Yuri uma projeção de seus desejos mais íntimos. A escolha de um cenário remoto no Chile adiciona uma camada de introspecção e desafio à história, ressaltando a força da natureza e o impacto do isolamento na psique humana.
A participação de Selton Mello no elenco confere ao filme uma dimensão internacional, atraindo olhares do público brasileiro e da crítica especializada. Sua presença em uma produção chilena selecionada para Cannes sublinha a crescente colaboração entre talentos da América Latina. O elenco diversificado promete performances que enriquecem a adaptação do aclamado romance de Pilar Quintana, explorando temas universais de afeto, perda e redescoberta.
Panorama do Festival de Cannes e a competição principal
Enquanto “La perra” brilha na Quinzena dos Realizadores, a competição pela cobiçada Palma de Ouro na 79ª edição do Festival de Cannes promete ser acirrada. Um total de 21 diretores disputarão o prêmio máximo, incluindo nomes de peso como o iraniano Asghar Farhadi, o espanhol Pedro Almodóvar e o russo Andrey Zvyagintsev. A lista de filmes em competição principal também destaca a forte presença asiática e europeia, com três produções do Japão e três da Espanha.
Curiosamente, os grandes estúdios de Hollywood estarão notavelmente ausentes da Riviera Francesa este ano, conforme revelado pelo diretor do festival, Thierry Frémaux. Em contraste com edições anteriores, a competição principal não contará com filmes brasileiros, um ano após “O agente secreto” ter sido consagrado. Entre os favoritos ao prêmio máximo, figuram o japonês Hirokazu Kore-eda, vencedor de 2018 com “Assunto de família”, e o romeno Cristian Mungiu, cujo novo filme, “Fiorde”, é ambientado na Noruega e estrelado por Renate Reinsve.
Destaques fora de competição e homenagens em Cannes
Fora da competição principal, o Festival de Cannes apresentará uma programação diversificada, incluindo uma surpreendente quantidade de conteúdo ligado ao futebol. Documentários sobre o lendário atacante Eric Cantona e sobre a icônica partida entre Inglaterra e Argentina na Copa do Mundo de 1986, marcada pela “mão de Deus” de Diego Maradona, prometem atrair um público amplo. A presença de grandes estrelas americanas será mais escassa nesta edição, embora Woody Harrelson e Kristen Stewart estejam confirmados em “Full Phil”, dirigido pelo francês Quentin Dupieux.
Thierry Frémaux comentou sobre a representatividade: “Os Estados Unidos estarão representados. Os grandes estúdios, um pouco menos”. Além disso, o ator americano John Travolta fará sua estreia na direção com “Propeller One-Way Night Coach”, fora de competição, explorando a “era de ouro da aviação”. O festival também prestará homenagens a lendas da indústria: Barbra Streisand e o cineasta neozelandês Peter Jackson, conhecido por “O Senhor dos Anéis”, receberão a tradicional Palma de Ouro Honorária. O júri que concederá a Palma de Ouro será presidido pelo sul-coreano Park Chan-wook, diretor de “Oldboy”, sucedendo a atriz francesa Juliette Binoche.
A edição de 2025 do festival premiou o cineasta iraniano Jafar Panahi e seu thriller “Foi apenas um acidente”. Naquela ocasião, os prêmios de melhor roteiro e melhor ator foram concedidos a Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, respectivamente, por “O agente secreto”. A programação confirmada até o momento inclui também “The Electric Kiss (La Vénus électrique)”, de Pierre Salvadori. O festival, segundo Frémaux, reflete a necessidade ocidental de “delicadeza, canções, natureza” e a busca por “segurança, prosperidade e de cuidados para crianças e famílias” nos países do Sul Global. Selton Mello
Fonte: oglobo.globo.com










