O Brasil ocupa uma posição de destaque mundial quando se trata do número de partos cesarianos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2021, 55% dos nascimentos no país são realizados por meio de cesáreas. Este cenário persiste apesar dos esforços para reduzir a realização de procedimentos considerados desnecessários.
Aumento das cesáreas e impacto no SUS
Entre 2009 e 2023, houve uma queda de 39% nos partos vaginais realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto as cesáreas aumentaram em 38%. Esta tendência foi destacada em um estudo do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS) do Hospital Israelita Albert Einstein, que analisou dados de partos no SUS. O estudo também revelou mudanças regionais significativas, com o Nordeste apresentando um aumento expressivo nas cesáreas.
Fatores culturais e estruturais
A preferência pela cesárea no Brasil é influenciada por fatores culturais e estruturais. Desde a década de 1970, a cesárea é vista como um procedimento moderno e menos doloroso. O medo da dor do parto normal, aliado à falta de analgesia adequada, leva muitas mulheres a optarem pela cirurgia. Além disso, a formação médica atual muitas vezes não prepara adequadamente os profissionais para lidar com partos vaginais, contribuindo para a preferência pela cesárea.
Riscos associados à cesárea eletiva
Embora a cesárea seja vital em casos de necessidade clínica, sua realização sem indicação aumenta os riscos de complicações. Para as mães, há maior risco de hemorragia, infecção e recuperação mais lenta. Para os bebês, a cesárea eletiva pode resultar em desconforto respiratório e internação em UTI neonatal. Mulheres com 40 anos ou mais são particularmente vulneráveis a complicações hospitalares.
Estratégias para redução de cesáreas desnecessárias
Especialistas sugerem que a redução de cesáreas desnecessárias passa por campanhas de informação, melhor formação médica e investimentos em infraestrutura hospitalar. Garantir um parto seguro e respeitoso é essencial para respeitar os direitos reprodutivos das mulheres.
Para mais informações, consulte o estudo completo publicado na revista científica Einstein.
Fonte: metropoles.com










