Ao contrário do senso comum, o colesterol alto raramente causa sintomas perceptíveis. Na prática clínica, é uma condição silenciosa que não se manifesta com dor, cansaço ou mal-estar, mas que pode levar a sérios problemas de saúde se não for controlada. Este entendimento é crucial para prevenir complicações cardiovasculares a longo prazo.
Colesterol alto: uma condição silenciosa
O aumento dos níveis de colesterol é, antes de tudo, uma alteração detectada em exames laboratoriais. Não é correto associar diretamente o colesterol alto a artérias obstruídas, pois a formação de placas depende de diversos fatores, incluindo hipertensão, diabetes, tabagismo e predisposição genética. Essas placas podem eventualmente levar a condições graves, como ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, mas o colesterol em si não apresenta sintomas visíveis.
Manifestações físicas raras
Embora incomuns, há sinais físicos associados a níveis elevados de colesterol. Esses incluem xantomas, que são depósitos de colesterol na pele; xantomas tendíneos, espessamentos nos tendões, especialmente no tendão de Aquiles; xantelasmas, placas amareladas nas pálpebras; e o arco corneano precoce, um anel esbranquiçado ao redor da córnea em pessoas jovens. Essas manifestações geralmente ocorrem em casos de hipercolesterolemia familiar ou em contextos de maior vulnerabilidade social, e indicam a necessidade de uma investigação médica detalhada.
Sintomas de doenças cardiovasculares
É importante não confundir sintomas de doenças cardiovasculares com os de colesterol elevado. Dor no peito, falta de ar ou dor nas pernas ao caminhar são sinais de placas já formadas nas artérias. O colesterol elevado contribui para esse processo, mas não é o único responsável. A Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que esperar por sintomas para investigar o colesterol é um erro, já que doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, muitas vezes em pessoas que desconheciam suas alterações lipídicas.
Exames laboratoriais: a chave para a prevenção
Para detectar e monitorar o colesterol, o exame de sangue é a principal ferramenta. Ele avalia o colesterol total e suas frações – LDL, HDL e VLDL. Também pode incluir a lipoproteína(a), um marcador genético ainda pouco solicitado, mas que pode aumentar o risco de formação de placas mesmo com o LDL controlado. A ausência de sintomas reforça a importância do acompanhamento periódico e da avaliação individualizada do risco cardiovascular.
A cardiologista Ana Paula Andrade Garcia, membro da Brazil Health, enfatiza que o colesterol alto não avisa. Por isso, é essencial manter consultas regulares e seguir as recomendações médicas para prevenir complicações.
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Fonte: https://saude.abril.com.br










