Moro em um ponto privilegiado no centro de Patos-PB. Dali, transformei minha rotina em um verdadeiro observatório urbano: gosto de registrar o cotidiano da cidade em vídeos, como se fosse uma janela aberta para tudo o que acontece ao redor. Cada imagem captada carrega um pedaço da história viva de Patos — e é isso que me move.
Entre tantos registros, um em especial sempre me chamava atenção. De longe, o som inconfundível do motor anunciava sua passagem, e eu já corria para posicionar a câmera. Era uma jovem em sua moto, sempre com uma postura elegante e marcante. Ao longo do tempo, consegui registrá-la em várias ocasiões, quase como um personagem recorrente dessa “crônica visual” da cidade.
Até que, de repente, ela deixou de passar. No início, pensei que pudesse ter trocado de moto ou mudado de trajeto. Mas a resposta veio de forma dura. Um conhecido, que também é motociclista, me contou que a jovem havia sofrido um acidente de carro e não resistiu.
Hoje, ficaram as imagens. Registros que, mais do que simples vídeos, se transformaram em memória — um fragmento de vida preservado no tempo, como parte da história silenciosa que a cidade guarda.
Marcelo Negreiros










