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Tribunal de Justiça envia magistrados para curso internacional na Holanda

Tribunal de Justiça envia magistrados para curso internacional na Holanda
Fachada do prédio do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro financiou a participação de 35 magistrados em um programa de formação sobre liberdade de expressão realizado na cidade de Haia, nos Países Baixos. O treinamento ocorreu entre 12 e 16 de outubro de 2026. A iniciativa, autorizada por meio de inexigibilidade de licitação, gerou debates sobre os valores investidos na capacitação internacional e o planejamento logístico da comitiva brasileira.

A contratação foi assinada em junho pelo então presidente do tribunal, Ricardo Couto, atualmente governador interino do estado. O programa acadêmico teve como proposta principal atualizar o conhecimento de juízes para lidar com temas complexos da jurisdição moderna.

Autorização e custos da viagem oficial

O valor inicial estimado pelo tribunal para a realização da atividade acadêmica foi de R$ 450 mil. No entanto, análises de documentos anexados a processos administrativos apontam que o montante global com passagens, diárias e taxas pode alcançar a marca de R$ 630 mil. O custo base da capacitação com a instituição estrangeira fechou em € 45 mil, equivalente a cerca de R$ 250 mil, montante que não englobava despesas de deslocamento e hospedagem dos participantes.

Registros detalhados sobre viagens de magistrados específicos indicam estimativas próximas de R$ 9 mil para bilhetes aéreos e valores semelhantes para estadias em hotéis locais. A divergência entre o valor oficial divulgado pela administração do tribunal e as projeções baseadas nos processos gerou questionamentos por parte de órgãos de controle e veículos de imprensa.

Conteúdo programático e foco acadêmico

Intitulado Liberdade de Expressão: Desafios Contemporâneos em Perspectiva Comparada, o treinamento abordou temas sensíveis e de grande repercussão no cotidiano dos tribunais. Entre os assuntos debatidos estiveram os limites da liberdade de imprensa, o combate à desinformação, a disseminação de discursos de ódio, o uso de inteligência artificial e os impactos do extremismo nas instituições democráticas.

Segundo a nota oficial emitida pelo tribunal, a capacitação buscou preparar magistrados de diferentes competências cíveis e criminais para julgar conflitos constitucionais complexos. A programação incluiu palestras com pesquisadores internacionais e intercâmbio de jurisprudências comparadas com sistemas jurídicos de outras regiões globais.

Instituição organizadora e visitas institucionais

As atividades acadêmicas ocorreram no Instituto T.M.C. Asser, centro de pesquisa jurídica fundado em 1965 em Haia e com forte ligação acadêmica com a Universidade de Amsterdã. A escolha da entidade baseou-se na experiência internacional em programas de formação voltados para operadores do Direito, como juízes e membros do Ministério Público.

Além das aulas teóricas ministradas por professores de universidades da Europa e da Ásia, a agenda da comitiva contemplou visitas oficiais a órgãos de destaque internacional. Entre os locais visitados estiveram a Corte Internacional de Justiça e a Suprema Corte dos Países Baixos, permitindo aos magistrados conhecerem de perto a aplicação prática do direito internacional público.

Fonte: revistaoeste.com


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