As oposições na Paraíba parecem brincar com a própria sorte ao cogitar uma chapa majoritária sem Pedro Cunha Lima. Seria um erro político monumental — daqueles que entram para os anais da ingenuidade estratégica — abrir mão do único nome que, na prática, já provou ter lastro eleitoral e discurso próprio para empolgar o eleitorado.
Pedro quase venceu o pleito passado por mérito exclusivo: foi competitivo, atravessou a campanha sem amarras e recusou acordos nebulosos que tanto critica na velha política. Herdou o peso de um clã vitorioso — Ronaldo e Cássio Cunha Lima construíram trajetória inquestionável — mas não se apoiou apenas no sobrenome. Fez questão de buscar seu próprio caminho, mantendo a tradição familiar como referência, mas apostando em uma postura mais ética, mais limpa e mais conectada com a nova geração.
Seu desempenho nas urnas foi contundente. Ganhou nos dois maiores colégios eleitorais, João Pessoa e Campina Grande, e só não se elegeu por causa da força da máquina estatal que reconduziu João Azevêdo ao governo. Ou seja: faltou pouco.
Agora, enquanto as oposições tentam montar uma chapa de impacto, é impensável que Pedro fique de fora. Seja como candidato ao Senado ou como vice-governador — hipótese que já corre solta nos bastidores — sua presença é praticamente obrigatória. Como presidente do PSD na Paraíba, é discreto até demais, se manifestando apenas quando provocado pela imprensa, mas isso não diminui seu valor estratégico.
Há quem garanta que Pedro poderia ser o vice ideal na chapa de Cícero Lucena, já lançado pelo MDB ao governo, com Veneziano Vital buscando a reeleição ao Senado. Nesse arranjo, ainda sobraria uma vaga senatorial — e Pedro, com o capital político das urnas, seria um nome prontíssimo para ocupar o espaço.
Como vice-governador, sua força seria ainda maior. Pedro atrai votos, mobiliza jovens e puxa para si uma parte decisiva do eleitorado. Não por acaso, Efraim Filho — eleito senador justamente na chapa de Pedro — tenta, a todo instante, convencê-lo a se aliar ao seu projeto de disputar o governo.
Por enquanto, Pedro mantém o silêncio estratégico. Prega unidade e sabe que, com as oposições alinhadas, a vitória deixa de ser miragem para virar possibilidade concreta. Cássio Cunha Lima, seu pai e maior conselheiro político, também observa de longe, esperando a cena se desdobrar para então se posicionar.
O MDB de Veneziano aparece como destino natural para entendimentos, sobretudo após o próprio clã Cunha Lima declarar apoio à sua reeleição ao Senado. Resta a Cícero Lucena intensificar a articulação e garantir o papel de Pedro na composição.
Uma coisa é certa: com Pedro, as oposições têm força real para disputar. Sem ele, abrem mão de seu trunfo mais valioso. E, na política, quem desperdiça ouro costuma terminar abraçado ao fracasso.
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