É espantosa — para não dizer conveniente — a miopia política do governador João Azevêdo diante do golpe de oportunismo pragmático arquitetado pelo deputado federal Hugo Motta, presidente da Câmara, e por seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley. Um movimento ensaiado, calculado e travestido de esperteza, que ganhou forma durante a posse do novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Na ocasião, Hugo tratou de colar sua imagem (e a do pai) à do presidente Lula, espalhando aos quatro ventos — e às redes sociais — a narrativa de que Nabor seria o “candidato de Lula ao Senado”. Uma encenação política grosseira, que tenta vender proximidade onde não existe compromisso.
Basta lembrar: o próprio Nabor já declarou publicamente que não tem compromisso com a candidatura de Lula, alegando que o Republicanos ainda “analisa” seu posicionamento para 2026. Na prática, é público e notório que Hugo e Nabor flertam com a candidatura de Tarcísio de Freitas e até com o bolsonarismo raiz, via Flávio Bolsonaro. Ou seja: dois pés em canoas opostas, dependendo da conveniência do momento.
O que se desenha é um ato cristalino de traição política, direcionado principalmente contra João Azevêdo, pré-candidato ao Senado pelo PSB. Na Paraíba, qualquer eleitor minimamente informado sabe:
O candidato do coração de Lula é Veneziano Vital do Rêgo — aliado fiel, correligionário histórico e uma das vozes mais firmes do governo no Senado.
O segundo nome já citado por Lula, sem rodeios, é o próprio João Azevêdo.
Do outro lado do tabuleiro, o MDB de Veneziano marcha com Cícero Lucena como pré-candidato ao Governo do Estado, todos alinhados e fechados com a reeleição de Lula. Já João Azevêdo, ironicamente, divide palanque com Hugo e Nabor, que apostam em Lucas Ribeiro (PP) — candidato ao governo sentado na cadeira de governador, graças à vice-governadoria.
Desgastado, sobretudo pela conduta dúbia e errática à frente da Câmara, Hugo Motta tenta agora uma reaproximação forçada com Lula, não por convicção, mas por sobrevivência política. O objetivo é claro: confundir a opinião pública, carimbar fotos e impulsionar artificialmente o nome de Nabor Wanderley ao Senado.
Mas há um detalhe que Hugo e Nabor insistem em ignorar: não têm credibilidade. Suas palavras mudam conforme o vento sopra. Quando estão fracos, correm para os braços de Lula; quando se sentem fortes, apunhalam o governo sem pudor.
E há uma verdade ainda mais incômoda: a rejeição a Hugo e Nabor é ampla, tanto entre eleitores de Lula quanto no bolsonarismo. Eles não são unanimidade em lugar nenhum — apenas especialistas em oportunismo.
João Azevêdo, que já não sofre apenas de miopia, mas de grave ingenuidade política, precisa entender: Nabor Wanderley não é aliado, é obstáculo. Atua às claras, anuncia apoios de prefeitos, omite o nome de João, e se coloca como protagonista isolado da disputa ao Senado.
Por fim, as fotos com Lula não servem apenas para confundir o eleitor. Servem, sobretudo, para sinalizar a liberação de emendas, combustível essencial para financiar uma campanha milionária ao Senado.
Abra o olho, João.
No jogo do clã Motta/Wanderley, lealdade é artigo inexistente — e você pode ser apenas o próximo descartado.
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