
A Codevasf, conhecida nos últimos tempos como o maior centro de corrupção institucionalizada do país, volta ao noticiário pelas piores razões. Deputados e senadores despejam milhões em emendas parlamentares no órgão para bancar obras e equipamentos que, na prática, alimentam currais eleitorais — principalmente no Nordeste. Resultado: investigações se multiplicam sobre a farra com o dinheiro público.
É nesse cenário podre que surge a indicação de Fred Pinto para a diretoria da Codevasf na Paraíba. O problema? Fred não é apenas citado — ele já foi condenado por fraudes em licitações na prefeitura de Boa Ventura, comandada por seu pai, Dudu Pinto. Ou seja, o currículo dispensa apresentações.
A escolha, apadrinhada pelo deputado Hugo Motta, causa indignação e levanta suspeitas ainda mais graves sobre o parlamentar, que já vinha desgastado na opinião pública. Afinal, quem em sã consciência indicaria um condenado por corrupção para dirigir qualquer órgão público? A resposta é óbvia: só quem tem interesse direto em manter a máquina a serviço de acordos políticos e eleitorais.
Fred Pinto, vale lembrar, não é novato nesse jogo. coordenador da pré-campanha de Nabor Wanderley ao Senado, campanha marcada pelo alto poder financeiro e sustentada justamente pela logística que um operador experiente em contravenção sabe bem organizar.
A indicação, no entanto, não deve passar incólume. O Ministério Público já se movimenta para barrar a nomeação, apontando improbidade administrativa e lembrando que um condenado em duas instâncias sequer deveria ter ocupado a vice-presidência da Companhia Docas da Paraíba. Partidos adversários também prometem acionar a Justiça.
Se a lei prevalecer, a nomeação cai. Se não, o recado é claro: a Codevasf continuará sendo o cofre aberto dos caciques políticos — agora, com aval oficial para que condenados tomem conta da chave.
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