Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, transfere empresas de R$ 400 mil para “laranja” com histórico de dívidas
O recém-nomeado Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (União-PB), está no centro de uma polêmica após transferir a propriedade de três de suas empresas, avaliadas em R$ 400 mil, para uma ex-assessora parlamentar de seu pai, o deputado federal Damião Feliciano (União-PB).
A aliada em questão, Soraya Rouse Santos Araujo, de 43 anos, recebia um salário modesto de pouco mais de dois salários mínimos (R$ 3.529,86) e enfrentava desafios para honrar suas dívidas e até mesmo o IPTU de sua residência em João Pessoa. De repente, ela se tornou sócia-administradora de três empresas que antes pertenciam a Feliciano.
As empresas em questão, com capital social total de R$ 400 mil, incluem uma instituição de ensino e duas construtoras. Dentre elas, duas empresas, a Sunset Business e a GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários Ltda, são apontadas como possivelmente de fachada, com indícios de continuarem ligadas ao ministro, pois os endereços registrados na Receita Federal não correspondem a locais de funcionamento de empresas e mantêm e-mails pessoais de Gustavo Feliciano em seus cadastros, mesmo após a suposta venda. Conforme informação divulgada pela coluna Tácio Lorran do Metrópoles, as transferências ocorreram em dezembro passado, mesmo mês em que Gustavo Feliciano assumiu o Ministério do Turismo.
A “laranja” e sua situação financeira
Documentos obtidos pela coluna revelam que Gustavo Feliciano declarou ter vendido a Sunset Business e a GCF Construções para Soraya Rouse por R$ 100 mil cada, um valor que cobriria todas as cotas desses empreendimentos. Contudo, Soraya Rouse tem um histórico de dificuldades financeiras. O município de João Pessoa a cobrou em abril de 2021 por uma dívida de IPTU de R$ 4.458,09, referente a débitos acumulados entre 2016 e 2020. O processo foi extinto em abril de 2024 por ser mais caro processá-la do que executar a dívida.
Além disso, em fevereiro de 2025, Soraya Rouse processou o Banco Hyundai Capital Brasil S.A. por considerar abusivas as taxas de juros de um financiamento de carro. O veículo de R$ 42.161 foi financiado em 49 parcelas de R$ 1.313,92, totalizando R$ 64.382,08. O tribunal extinguiu o processo sem resolução de mérito. Em fevereiro de 2024, uma comerciante a cobrou por uma dívida de R$ 1.569 em roupas, valor que foi acordado em R$ 1,5 mil a ser pago em 5 parcelas.
Instituição de ensino com dívidas milionárias e credenciamento perdido
A terceira empresa transferida é a União de Ensino Superior da Paraíba Ltda (UniPB). O documento de repasse das cotas não esclarece se houve pagamento. A UniPB, associada a processos judiciais, incluindo trabalhistas, é mantenedora da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Natal (Faciten). Entre fevereiro de 2014 e outubro de 2021, a UniPB recebeu mais de R$ 5,2 milhões do governo federal para o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
No entanto, a UniPB possui uma dívida de mais de R$ 333,9 mil com a União, conforme dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Assim como as outras duas empresas, a UniPB não possui site ou redes sociais ativas, e sua suposta sede funciona em uma casa. A Faciten, em Natal, perdeu seu credenciamento no Ministério da Educação (MEC) no final do ano passado.
Aliada política de confiança da família Feliciano
Soraya Rouse não é apenas uma antiga funcionária, mas uma pessoa de confiança da família Feliciano. Ela recebeu procurações com “poderes gerais e especiais” de Renato Feliciano, secretário de Estado de Desenvolvimento e Articulação Municipal da Paraíba, para atuar em nome dele na Companhia de Águas e Esgoto da Paraíba (Cagepa) em novembro de 2023. Em dezembro de 2023, Damião Feliciano a autorizou a representá-lo perante órgãos de trânsito em relação a um veículo.
Curiosamente, Soraya Rouse informou ao cartório ser autônoma ao assinar esses documentos, embora já atuasse como secretária parlamentar de Damião há mais de um ano. Ela também é membro suplente do União Brasil na Paraíba, com cargo executivo registrado até abril de 2027, assim como os membros da família Feliciano, que também integram o diretório do partido.
Procurados pela coluna, Soraya Rouse, Damião, Renato e Gustavo Feliciano não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O Ministério do Turismo também não respondeu aos contatos.
leia58.blog com informações da Coluna de Tácio Lorran de Metrópoles
















