Faltando pouco mais de 40 dias para deixar o Palácio da Redenção e cair de vez na estrada como pré-candidato ao Senado pelo PSB, o governador João Azevêdo caminha para um constrangimento político de alto calibre: tudo indica que não indicará nenhum nome para as duas vagas abertas no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba com as aposentadorias de Fernando Catão e Nominando Diniz.
O tempo é curto, o clima é tenso e a chamada “tríplice aliança” — PSB, PP e Republicanos — virou um campo minado. O PP do vice-governador Lucas Ribeiro e o Republicanos do deputado Hugo Motta disputam cada centímetro desse tabuleiro onde o prêmio é vitalício e o poder é silencioso, mas devastador.
Se não conseguir emplacar ao menos um nome, João Azevêdo passará ao eleitorado e à classe política uma imagem indigesta: a de um governador que, ao se despedir, não teve força nem para influenciar a escolha de dois conselheiros do TCE. Nos bastidores, o nome preferido do governador seria o do secretário Deusdete Queiroga, mas a resistência ao seu nome é real e barulhenta — o que inviabiliza uma aprovação relâmpago.
Enquanto isso, quem joga parado — e joga pesado — é o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino. Sem dever favores ao governador e com a caneta do Legislativo na mão, ele tende a conduzir o processo de escolha. Galdino, aliás, não esconde de interlocutores o interesse pessoal por uma das vagas, articulando o segundo nome dentro da própria base aliada.
No cenário em que João se afasta para disputar o Senado, Lucas Ribeiro assume o governo e também entra na disputa. Nos corredores, fala-se na tentativa de emplacar o nome da mãe, a senadora Daniela Ribeiro. Outro nome citado é o do deputado estadual Taciano Diniz — todos orbitando a mesma aliança que, em tese, deveria marchar unida.
Mas, como observa um experiente interlocutor dos bastidores, quem pode acabar sobrando é o próprio João Azevêdo. Sem a caneta e precisando manter pontes para 2026, dificilmente comprará brigas agora. Como pré-candidato ao Senado, evitará contrariar interesses — mesmo que isso custe protagonismo.
No fim das contas, quem tende a sair fortalecido é Adriano Galdino. Já com influência consolidada no cenário estadual, ele pode ampliar ainda mais seu raio de poder dentro do Tribunal. Para muitos analistas, o risco é claro: transformar o TCE em extensão de projetos políticos pessoais — um movimento que seria, no mínimo, preocupante para a Paraíba.
E se João Azevêdo acha que já enfrentou turbulências suficientes, talvez ainda não tenha visto nada.
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