O governo de João Azevêdo voltou a protagonizar mais um capítulo nada transparente na gestão dos cofres públicos. Documentos revelam que a Secretaria de Desenvolvimento da Pecuária e Pesca desembolsou R$ 33 milhões na compra de farelo de soja da empresa Kimilho Indústria e Comércio Ltda ME, de Catolé do Rocha.

O detalhe indigesto? A aquisição não passou por licitação, mas por uma “adesão” a Ata de Registro de Preços – expediente que deveria ser exceção em casos de urgência ou fornecimento exclusivo, e não a regra para contratos milionários.
A justificativa oficial seria nobre: garantir a alimentação do rebanho bovino em plena estiagem. Mas a forma escolhida para a compra abre margem para suspeitas e questionamentos. Afinal, existem inúmeros produtores e comerciantes de farelo de soja que poderiam disputar o contrato em certame público, garantindo transparência e menor preço para o Estado.
Em vez disso, a secretaria preferiu o atalho, levantando dúvidas sobre favorecimento à empresa contemplada – que, ironicamente, não é produtora de soja. Agora, paira a sombra de investigações e possíveis ações judiciais para esclarecer a lisura desse acordo milionário.
Se a assinatura do contrato ainda não foi consumada, a medida mais prudente seria o cancelamento imediato, sob risco de transformar uma necessidade legítima em mais um escândalo de conduta administrativa duvidosa.
Nossa reportagem deixa espaço aberto para o posicionamento da Secretaria de Pecuária e Pesca e da empresa Kimilho. Mas a pergunta que ecoa é simples: por que o governo João Azevêdo optou pelo caminho nebuloso em vez da concorrência pública transparente?
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