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General brasileiro em livro nos EUA sugere papel militar decisivo no futuro do Brasil, acendendo alerta democrático

General brasileiro em livro nos EUA sugere papel militar decisivo no futuro do Brasil, acendendo alerta democrático

Um general de Exército brasileiro, em obra publicada nos Estados Unidos, levanta a tese de que as Forças Armadas podem desempenhar um papel crucial na definição do futuro do país, indo além das suas funções constitucionais.

A declaração, divulgada pelo site Sociedade Militar, integra um material vinculado ao Colégio Interamericano de Defesa. O autor é o general de Exército André Luís Novaes Miranda, que compõe o alto comando da força até abril de 2025.

O general argumenta que, na esfera estratégica, a liderança militar não se limita a executar ordens, mas sim a influenciar diretamente os rumos institucionais, políticos e estruturais de uma nação. Conforme informações divulgadas, essa abordagem sugere uma concepção ampliada do papel das Forças Armadas, que transcenderia a defesa externa e a manutenção da ordem.

Visão de Tutela Militar em Debate Internacional

A publicação dessa visão em um contexto internacional, como nos Estados Unidos, confere um peso político e simbólico considerável à declaração. Isso ocorre em um momento global de ascensão de discursos autoritários e enfraquecimento de mecanismos de controle institucionais.

No cenário brasileiro, a tese apresentada ecoa uma tradição histórica de tutela militar sobre o poder civil, que já resultou em diversas rupturas institucionais, incluindo o regime militar de 1964 a 1985.

O país tem presenciado, mais recentemente, ameaças explícitas à ordem democrática, tentativas de golpe e o envolvimento direto de setores das Forças Armadas em debates políticos.

Forças Armadas e a Constituição Brasileira

A Constituição Federal estabelece que as Forças Armadas são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República. Suas atribuições são definidas para a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, quando solicitado, a lei e a ordem.

Não há, na Carta Magna, previsão para que os militares exerçam tutela sobre o poder político ou assumam protagonismo na definição dos rumos do Estado. Especialistas em direito constitucional e ciência política alertam que, em regimes democráticos, as Forças Armadas devem subordinar-se ao poder civil eleito.

Declarações que contrariam essa premissa, ainda que apresentadas em linguagem acadêmica, reforçam uma cultura institucional incompatível com a democracia e podem explicar a vulnerabilidade da democracia brasileira a ciclos de instabilidade e ameaças golpistas.

Contexto e Implicações para a Democracia

A afirmação do general André Luís Novaes Miranda, mesmo que inserida em um debate estratégico, explicita uma visão que, segundo analistas, contribui para a compreensão da persistente fragilidade da democracia brasileira diante de intervenções e ameaças.

O fato de militares de alta patente terem sido julgados e condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, comandada por Jair Bolsonaro, ex-militar expulso da corporação, marca um precedente inédito na história recente do país.

A abordagem do general, ao sugerir um papel mais ativo dos militares na definição do futuro do Estado, vai de encontro aos princípios democráticos e pode alimentar debates sobre a atuação das Forças Armadas na sociedade brasileira.

leia58.com

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