O grito não foi isolado, nem fruto de acaso. Ecoou forte, direto e constrangedor: “Fora Hugo Motta!”. Durante a abertura do tradicional Folia de Rua, em João Pessoa, a manifestação popular escancarou aquilo que já não se consegue mais esconder — a crescente rejeição do povo paraibano ao deputado federal Hugo Motta (Republicanos), atual presidente da Câmara dos Deputados.
A cena foi simbólica e reveladora. Em meio à festa popular, o povo transformou alegria em protesto e deu um recado claro: a paciência acabou. O coro espontâneo traduz o sentimento de indignação coletiva diante da atuação parlamentar de Hugo Motta, cada vez mais percebida como distante das necessidades da classe trabalhadora e alinhada aos interesses de grupos econômicos privilegiados.
O desgaste do deputado alcança patamares inéditos para um representante da Paraíba no Congresso Nacional. Sua passagem pela presidência da Câmara vem sendo marcada por decisões que aprofundam desigualdades e afrontam o senso mínimo de justiça social. O episódio mais recente beira o escárnio: a aprovação relâmpago de reajustes salariais para servidores do Congresso, muitos já ganhando acima do teto constitucional — com casos que chegam a salários estratosféricos de até R$ 120 mil mensais.
Como se não bastasse, Hugo Motta ainda anunciou aumento de R$ 30 mil na verba de representação dos deputados federais, ampliando despesas públicas para beneficiar uma elite política já amplamente favorecida. Enquanto isso, milhões de brasileiros enfrentam desemprego, arrocho salarial e abandono institucional.
Por mais que tente maquiar a realidade com discursos e medidas paliativas, formou-se um juízo definitivo na opinião pública sobre sua conduta parlamentar. O grito de “Fora Hugo Motta” não é apenas protesto — é um veredito político. Revela a perda total de confiança, respeito e legitimidade perante a sociedade.
Não por acaso, sua permanência na presidência da Câmara já sofre abalos concretos, com movimentos de coleta de assinaturas em todo o país visando sua destituição do comando da chamada “Casa do Povo” — que, sob sua gestão, parece cada vez menos do povo.
O desgaste também ameaça contaminar o tabuleiro eleitoral da Paraíba. A base governista, que articula a candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro pela aliança PSB–PP–Republicanos, liga o sinal de alerta. O governador João Azevêdo e o pai de Hugo Motta, o prefeito milionário de Patos, Nabor Wanderley, figuram como pré-candidatos ao Senado. Contudo, pesquisas já indicam alto índice de rejeição a Nabor, com potencial para comprometer toda a chapa majoritária.
Se a cada evento público Hugo Motta e Nabor Wanderley forem recebidos com vaias, o impacto eleitoral será inevitável e devastador.
Ao poderoso presidente da Câmara, fica um aviso que vem das ruas: dinheiro compra silêncio, mas não compra dignidade. A Paraíba falou — alto, claro e sem rodeios.
“Fora Hugo Motta” não é só um grito. É um recado direto da sua própria terra.
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