Enquanto mães peregrinam pelas farmácias públicas de Patos em busca de leite para manter seus filhos vivos, a gestão do prefeito Nabor Wanderley prefere investir pesado em festa, palco, trio elétrico e confete. O drama social virou pano de fundo para um espetáculo caro — e cruel.
Nas redes sociais, um vídeo escancara o retrato da insensibilidade administrativa: uma mãe, entre tantas outras, relata com indignação e desespero que não há leite disponível nas farmácias municipais. Funcionários confirmam a escassez. O que sobra é o desespero de centenas de famílias que não sabem mais a quem recorrer.
O grito é legítimo, humano e urgente. Como aceitar que crianças passem fome enquanto a Prefeitura torra milhões de reais com uma festa carnavalesca inédita na cidade? É impossível não lembrar da velha máxima do Império Romano — aplicada agora ao Sertão: “ao povo, pão e circo”. No caso de Patos, nem o pão está garantido.
Pré-candidato ao Senado da República, Nabor Wanderley faz ouvido de mercador ao clamor popular. Dinheiro, ele não pode alegar que falta. Há recursos de sobra para festas, marketing e palanque. Mas para o básico — leite, água, dignidade — a conta misteriosamente não fecha.
E como se não bastasse o colapso nas farmácias públicas, Patos enfrenta uma grave crise hídrica. Falta água. Mananciais estão praticamente secos. O abastecimento ocorre em dias alternados, puxado do açude de Coremas, que também agoniza. Nenhuma ação emergencial consistente foi adotada: não há perfuração de poços, não há plano, não há resposta.
A cidade vive um apagão de serviços. Falta tudo. E a pergunta ecoa nas ruas: o que está acontecendo com a Prefeitura de Patos?
Enquanto isso, Nabor segue anunciando, quase diariamente, novos apoios políticos ao seu projeto milionário de poder. Do outro lado do balcão está o filho, Hugo Motta, presidente da Câmara Federal, que recentemente protagonizou mais um capítulo vergonhoso: aumento de salários, benefícios e da verba de gabinete para deputados — já muito bem remunerados.
Eis a dobradinha que pede o voto do eleitor: pai e filho, Motta/Wanderley. Um tenta se manter em Brasília; o outro, apontado por muitos como o pior prefeito da história de Patos, sonha em vestir o figurino de senador.
Os gritos de socorro continuam. As mães continuam. As crianças continuam. Mas os ouvidos do poder parecem blindados contra o sofrimento social.
Este portal abre espaço para esse clamor porque não se trata de política menor, mas de vida ou morte. O Ministério Público precisa agir com urgência. A Justiça pode — e deve — intervir para impedir que, diante da fome e da calamidade, milhões sejam desperdiçados em festas.
Na hora do voto, o eleitor precisa lembrar: festa passa, fome não.
E Patos está cansada de circo — quer pão, água e respeito.
Daremos sequência ao tema nas próximas reportagens.
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