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Quanto Custa Cada Vereador em Patos? A Unanimidade Servil que Sai Cara ao Contribuinte

O escritor Nelson Rodrigues eternizou uma máxima que cai como luva na política patoense: “toda unanimidade é burra”. A frase não condena o consenso em si, mas denuncia o perigo da ausência de pensamento crítico, da política de rebanho, da concordância automática que sufoca o debate, a fiscalização e o verdadeiro papel do Poder Legislativo Municipal.

Em Patos, a Câmara Municipal parece ter levado a frase ao pé da letra — e feito dela um manual de subserviência. Hoje, o Legislativo patoense cumpre com zelo um único papel: referendar, aplaudir e silenciar diante dos interesses do prefeito Nabor Wanderley e do poderoso Clã Motta/Wanderley, que domina a cidade há anos.

Certo ou errado, legal ou imoral, os vereadores votam em bloco. Unanimidade absoluta. Nada é questionado, nada é investigado, nada é barrado. O Executivo manda, a Câmara obedece. Fiscalização? Zero.

O único vereador que ousou exercer o mandato com independência, Josmá Oliveira (MDB), acabou cassado pelo TRE em um processo cercado de controvérsias políticas. A cassação teve como base a renúncia coletiva da então candidata a vice-prefeita Priscila Lima e de candidatas a vereadora — incluindo sua própria irmã — que deixaram o partido propositalmente acéfalo, descumprindo exigências da legislação eleitoral.

O detalhe incômodo: todas fizeram uso proporcional do fundo partidário. Em Patos, a Justiça entendeu que Josmá não poderia ser responsabilizado por atos individuais das candidatas e o absolveu. Ainda assim, o mandato caiu. Resultado prático? Câmara sem oposição e prefeito reinando absoluto.

Desde então, Nabor Wanderley governa sem freios. Tudo que interessa ao Executivo — especialmente a omissão na fiscalização — é prontamente atendido pelos vereadores. E aí surge a pergunta que ecoa nos quatro cantos da cidade:

👉 quanto custa cada vereador aos cofres — ou aos favores — da Prefeitura de Patos?

Como se constrói essa relação? Empregos, favores, indicações, benesses? A resposta não é oficial, mas a prática é visível. Trata-se de uma relação promíscua entre Executivo e Legislativo, cujo preço é pago pela sociedade patoense.

Mesmo diante de denúncias, investigações e ações de órgãos competentes, a Câmara nunca se posiciona. Quando fala, é apenas para desacreditar acusações e defender o prefeito. A unanimidade, além de vergonhosa, torna-se traiçoeira aos deveres constitucionais de cada vereador.

Outro agravante é o controle absoluto da Câmara pela presidente Tilde Eduardo, que manda e desmanda na Casa com respaldo direto do prefeito há 16 anos. Hoje, Prefeitura e Câmara são um só corpo, unidos não pelo interesse público, mas por conveniências pessoais e políticas.

Vereadores já recebem salários elevados, contam com verbas de gabinete, assessores pagos pelo contribuinte e, ao que tudo indica, outros benefícios extraoficiais. Pode até ser legal no papel — se for —, mas é moralmente indigesto para uma população que cobra representatividade, fiscalização e independência.

O reinado absoluto da família Motta/Wanderley começa a causar danos profundos à consciência política de Patos. E qualquer semelhança com Turilândia (MA) — onde prefeito, vice e vereadores acabaram presos por corrupção milionária — é, oficialmente, mera coincidência.

Em Patos, investigações e prisões já ocorreram, mas não por iniciativa da Câmara. O socorro institucional vem de fora: Polícia Federal, GAECO, Ministério Público Estadual e Federal.
Da Câmara Municipal, não se espera nada. A cumplicidade virou regra. A unanimidade, método. E o silêncio, política oficial.

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