Ex-presidente do INSS é acusado de receber propina milionária

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, em depoimento à CPMI do INSS | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, está no centro de uma grave acusação feita pela Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de ter recebido até R$ 250 mil mensais em propinas para evitar a fiscalização de entidades envolvidas em descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões.

Operação Sem Desconto e suas Revelações

A operação, denominada Sem Desconto, resultou em um relatório de 256 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento menciona o indiciamento de 48 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que Stefanutto teria ignorado intencionalmente as irregularidades cometidas por associações que realizavam descontos não autorizados nos benefícios previdenciários.

Esquema de Propina e Envolvimento da Conafer

Parte das propinas teria sido paga pela Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das principais entidades envolvidas no esquema. Segundo o relatório, os pagamentos ao ex-presidente do INSS foram realizados através de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria. Documentos apreendidos revelaram planilhas com registros de pagamentos que coincidem com transferências bancárias identificadas.

Indiciamentos e Prisões Preventivas

Além de Stefanutto, foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Todos estão presos preventivamente desde o ano passado. Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, também foi indiciado e é considerado foragido.

Próximos Passos na Justiça

O relatório da PF será agora analisado pelo ministro André Mendonça, que deverá encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da República. A decisão sobre a apresentação de denúncias contra os investigados cabe à PGR. Os 48 indiciados enfrentam acusações de inserção de dados falsos, corrupção passiva e ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023, por indicação do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou o cargo em meio às revelações das fraudes. A investigação continua a desdobrar-se, com implicações significativas para todos os envolvidos.

Para mais informações, consulte a Polícia Federal.

Fonte: revistaoeste.com


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