A filiação de Cícero Lucena ao MDB não foi apenas um ato político — foi um terremoto que sacudiu velhas lembranças, acordou eleitores adormecidos e devolveu musculatura a um partido que já foi sinônimo de redemocratização. Basta lembrar de Ulisses Guimarães, dos históricos enfrentamentos e, claro, do poeta Ronaldo Cunha Lima, cassado nos anos 60, anistiado em 79 e reconduzido pelo povo à Prefeitura de Campina e, depois, ao Governo do Estado — tendo ninguém menos que Cícero como seu vice.
Pois bem: a roda da história é teimosa e voltou a girar. Ronaldo já está na eternidade, mas os laços políticos permanecem vivos. Seu filho, Ronaldo Filho, anunciou em voz alta e sem rodeios o que muita gente já cochichava: todo o clã Cunha Lima fechou questão com Cícero para o Governo do Estado e com Veneziano Vital para o Senado. Foi o selo político que faltava para transformar o evento de filiação num ato de peso histórico.
A cerimônia que marcou o retorno de Cícero ao MDB foi quase um reencontro espiritual com os grandes vultos da legenda. Lá estava o eco de Humberto Lucena — o padrinho político que abriu as portas do partido e da vida pública para Cícero. E no presente, quem comanda o MDB, o senador Veneziano Vital, nada de braçadas: lidera com folga todos os cenários para o Senado, acumulando primeiro e segundo votos de prefeitos, lideranças e bases influentes espalhadas pela Paraíba.
Veneziano tem motivos de sobra para essa maré favorável: obras, verbas, ações e presença política intensa nos municípios. É o tipo de performance que pesa — e pesa muito — quando o cabo eleitoral é o próprio eleitor.
Com o clã Cunha Lima dentro do barco, cogitando inclusive indicar Pedro Cunha Lima para compor a chapa majoritária, a candidatura de Cícero ganha musculatura, expressão e uma capacidade de mobilização que o Palácio da Redenção não esperava enfrentar tão cedo.
E por falar em Palácio… a temperatura subiu.
A união das oposições caiu como uma bomba nas hostes do governador João Azevêdo, já desgastado por um rosário de denúncias de corrupção que insiste em bater à porta do governo. A preocupação é tanta que fontes bem posicionadas garantem: João já admite terminar o mandato sem se arriscar na aventura do Senado. O clima é de apreensão — até porque, se as investigações avançarem e o caldo engrossar, vai ficar difícil empurrar o vice Lucas Ribeiro ladeira acima na disputa eleitoral.
E uma coisa é certa: gasolina para incendiar a chapa governista não vai faltar. Quem imaginou uma eleição morna, pode esquecer — o jogo virou e promete fumaça grossa até o último minuto.
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