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Chefe de gabinete de Hugo Motta é acusada de comandar esquema de “rachadinha”; dez funcionários deram poderes para movimentar salários

Uma investigação da coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, aponta indícios de um esquema de “rachadinha” no gabinete do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados. Segundo o levantamento, dez funcionários e ex-funcionários assinaram procurações concedendo poderes à chefe de gabinete Ivanadja Velloso Meira Lima para movimentar salários e realizar transações bancárias em nome deles.

Mulher sorridente segurando um objeto em um ambiente interno com móveis clássicos ao fundo.
 Ivanadja Velloso

Ivanadja Velloso já responde na Justiça Federal por suposto desvio de recursos públicos em um caso semelhante, ocorrido quando trabalhava no gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB). O Ministério Público Federal (MPF) afirma que, naquele período, ela sacava salários de servidores que nunca prestaram serviços à Câmara.

No gabinete de Hugo Motta, as procurações foram registradas em cartórios da Paraíba desde 2011, primeiro ano do mandato do parlamentar. Oito desses documentos autorizam expressamente o recebimento de salários. Apenas no período analisado, os servidores envolvidos receberam mais de R$ 4 milhões em remuneração.

Dois assessores permanecem no cargo: o motorista Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, que também atua como caseiro da fazenda de Hugo Motta, e a secretária parlamentar Jane Costa Gorgônio. Ambos assinaram documentos dando poderes à chefe de gabinete para movimentar seus vencimentos.

A reportagem também identificou casos de funcionários com indícios de acúmulo irregular de cargos públicos e familiares de assessores com histórico de nomeações sucessivas no gabinete do deputado. Em outro caso, uma secretária parlamentar foi flagrada desempenhando atividades particulares durante o horário de trabalho na Câmara.

Procurados, Hugo Motta e Ivanadja Velloso não se manifestaram. Das dez pessoas que assinaram as procurações, algumas desligaram o telefone ao serem questionadas sobre o destino dos salários.

Segundo as regras da Câmara dos Deputados, cada parlamentar pode nomear de cinco a 25 assessores, com remuneração que varia de R$ 1,5 mil a R$ 18,7 mil mensais, totalizando até R$ 133 mil em verba de gabinete.

O MPF apura se o esquema identificado pela coluna caracteriza improbidade administrativa e desvio de recursos públicos.

Tácio Lorran Colunista do Metrópoles
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