[Editada por: Marcelo Negreiros]
O advogado da União Rafaelo Abritta, chefe de Relações Institucionais do Ministério da Defesa, tem conversado nos últimos dias com o titular da pasta, José Múcio Monteiro, e os comandantes das três Forças Armadas sobre sua eventual indicação a uma vaga de ministro no Superior Tribunal Militar (STM). Abritta é apoiado pela cúpula da Defesa na disputa pela cadeira destinada a advogados, que será aberta em 11 de abril com a aposentadoria do ministro José Coêlho Ferreira. A indicação, contudo, pode ser feita pelo Palácio do Planalto antes dessa data, o que é comum no STM.
O assunto é abordado regularmente por Múcio e pelos comandantes militares com Abritta, em encontros de trabalho no ministério ou em eventos nas Forças. A pauta ganhou força no mês passado, quando o STM notificou o Planalto que faltam três meses para a aposentadoria do ministro José Coêlho, uma praxe da Justiça Militar.
A exemplo da escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF), o presidente faz indicações para o STM fora de listas tríplices e, com isso, tem um leque mais amplo de opções. Procurado, Múcio não se manifestou. Os três comandantes militares também não responderam.

Rafaelo Abritta conhece ministro da Defesa desde 2009. Foto: Reprodução
Abritta e Múcio mantêm uma relação próxima. Os dois se conheceram em 2009, quando Múcio foi nomeado para o Tribunal de Contas da União (TCU) e Abritta atuava lá pela Advocacia-Geral da União (AGU). Assim que assumiu o Ministério da Defesa do governo Lula, Múcio designou Abritta para comandar a assessoria de Relações Institucionais da pasta.
Com bom trânsito entre militares, Rafaelo Abritta representa a Defesa nas comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, colegiados que tratam da ditadura militar de 1964 e são vistos com resistência pela caserna. O advogado foi o primeiro civil a ocupar a cadeira do ministério nessas comissões.
No mundo político, Abritta teve cargos de confiança nas gestões de governos de todos os matizes ideológicos. Defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff no TCU durante o caso das pedaladas fiscais. Na gestão Michel Temer, foi secretário-executivo adjunto da Casa Civil. Já no governo Bolsonaro, trabalhou com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
A disputa pelo STM tem ao menos outros três candidatos: José Levi Mello, ex-ministro da Advocacia-Geral da União e atual conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ligado ao ministro do STF Alexandre de Moraes; a advogada Verônica Sterman, que já defendeu a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o vice-presidente Geraldo Alckmin; e a advogada Edilene Lôbo, ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
[Por: Estadão Conteúdo]
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