TRF-1 nega habeas corpus e mantém a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio a investigação sobre fraude de R$ 12 bilhões
A prisão de Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master, foi mantida pela Justiça Federal após a desembargadora Solange Salgado da Silva, do TRF-1, negar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. No despacho publicado nesta quinta-feira (20/11), a magistrada indicou que há fortes indícios de continuidade delitiva e risco à ordem pública e econômica.
Ao fundamentar a decisão que mantém a prisão de Daniel Vorcaro, a desembargadora escreveu: “há fortes indícios de que a organização criminosa se manteve em plena atividade, sendo a prisão necessária para cessar a continuidade delitiva”. Segundo ela, “a complexidade do esquema, com o fornecimento de ‘informações inverídicas’ e a criação de ‘falsa narrativa’ ao Banco Central são indicativos do comportamento obstrutivo e da sofisticação da fraude que, somados ao amplo poder econômico do paciente, configuram um risco atual à ordem pública e à ordem econômica”.
Decisão do TRF-1 e fundamentos da manutenção da prisão
O TRF-1 rejeitou o argumento de que medidas alternativas seriam suficientes para conter os riscos. A prisão preventiva foi considerada necessária diante de evidências apontadas pela investigação, que mira uma suposta fraude de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial. A decisão ressalta a sofisticação do esquema e possíveis tentativas de obstrução junto ao Banco Central.
Para o tribunal, o contexto reforça a gravidade das suspeitas e a necessidade de preservar a ordem pública e a ordem econômica, pontos centrais para manter a prisão de Daniel Vorcaro.
O que dizem as investigações e a defesa de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal aponta que Vorcaro foi preso na noite de segunda-feira (17/11), no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular, citando possível risco de fuga para Malta. A defesa afirma que ele viajava para Dubai com o objetivo de captar novos investidores para a instituição, em operação comunicada ao Banco Central. Os advogados sustentam que a decisão de prisão não apresenta fatos concretos e individualizados sobre risco atual e defendem que o afastamento das funções seria suficiente.
Segundo a defesa, após o veto do Banco Central a uma negociação, o Master adotou medidas de reorganização e cumpria os compromissos firmados.
Contexto do Banco Master, BRB e Fictor Holding
O Banco de Brasília (BRB) tentou comprar o Master em operação avaliada em R$ 2 bilhões, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro. Horas antes da prisão de Vorcaro em São Paulo, a Fictor Holding anunciou a compra do Banco Master, movimento que adiciona pressão e incerteza ao futuro da instituição, já sob liquidação extrajudicial.
Com a prisão de Daniel Vorcaro mantida e as investigações em curso, o caso segue mobilizando TRF-1, Polícia Federal e Banco Central, com forte impacto no sistema financeiro e atenção especial ao desfecho sobre a fraude bilionária atribuída ao Banco Master.










