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Operação mais letal do Rio: 64 mortos, 4 policiais, 75 fuzis apreendidos e 81 prisões após megaoperação contra o Comando Vermelho

Megaoperação com 2,5 mil agentes no Complexo do Alemão e da Penha é apontada como a Operação mais letal do Rio, com uso de drones, bombas e arsenal pesado, governo do estado critica negativas de apoio federal

Pelo menos 64 pessoas foram mortas durante a megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira, 28/10, no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho. Entre as vítimas, há quatro policiais, sendo dois civis e dois militares. A ação mobilizou 2,5 mil agentes nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte, em um dos maiores esforços recentes de repressão ao crime organizado no estado.

Os confrontos foram intensos, com bandidos reagindo por meio de barricadas, drones, bombas e tiros. Até o momento, as autoridades confirmaram 81 prisões e a apreensão de um arsenal pesado, incluindo pelo menos 75 fuzis. Com esse saldo, a operação já é considerada a Operação mais letal do Rio, termo que resume a gravidade do cenário e a dimensão do embate entre forças de segurança e o tráfico.

Balanço da ação, cenário dos confrontos e apreensões

De acordo com a Secretaria de Segurança, a ofensiva teve como objetivo conter o avanço territorial do Comando Vermelho e executar ordens judiciais contra lideranças do tráfico. Em resposta, grupos criminosos intensificaram o uso de tecnologia e de artefatos explosivos, lançando bombas com drones contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais, Core, tropa de elite da Polícia Civil, o que elevou o risco para os agentes em campo e para moradores.

O monitoramento e a coordenação das ações ocorreram no Centro Integrado de Comando e Controle, CICC, na Cidade Nova, onde as forças estaduais centralizam informações em tempo real. Ao longo do dia, as equipes relataram sucessivos bloqueios de vias, enfrentamentos armados e recolhimento de grande quantidade de munições e armamentos, com destaque para os 75 fuzis apreendidos, número que evidencia a capacidade de fogo das facções e o grau de letalidade dos confrontos.

Com 81 prisões confirmadas, a operação teve ainda caráter de inteligência, mirando bases logísticas da facção em áreas estratégicas para o escoamento de drogas e armas. A Operação mais letal do Rio expôs, mais uma vez, como o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão se tornaram pontos críticos na disputa por poder no crime organizado da capital.

Quatro policiais entre as vítimas e identificação dos agentes mortos

O impacto humano na Operação mais letal do Rio foi especialmente sentido nas forças de segurança. Os quatro policiais mortos foram identificados. Na Polícia Civil, morreram Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, 51 anos, conhecido entre colegas como Máskara, chefe da 53ª DP, Mesquita, e Rodrigo Velloso Cabral, 34, da 39ª DP, Pavuna. Ambos integravam o efetivo de 2,5 mil agentes mobilizados na operação.

Na Polícia Militar, as vítimas foram os operadores do Bope Cleiton Serafim Gonçalves e Herbert. As mortes ocorreram em meio a trocas de tiros em áreas sob forte controle do tráfico, onde, segundo o comando da operação, houve a retaliação com drones e explosivos contra equipes táticas, agravando o cenário já crítico nas comunidades atingidas.

Enquanto autoridades reforçam a necessidade de continuidade das ações para sufocar o poder bélico das facções, familiares e colegas das vítimas destacaram o histórico de dedicação dos agentes, em especial de Máskara, que chefiava unidade na Baixada Fluminense, e de policiais do Bope envolvidos nas incursões mais complexas do dia.

Mandados, prisão de liderança do CV e debate sobre apoio federal

A megaoperação também tinha como foco o cumprimento de 51 mandados de prisão contra traficantes que atuam no Complexo da Penha. O Gaeco, MPRJ denunciou 67 pessoas por associação para o tráfico, e três homens foram denunciados por tortura. Segundo o Ministério Público, por sua posição estratégica próxima a vias expressas, o conjunto de favelas se consolidou como base do projeto expansionista da facção, irradiando influência especialmente para áreas de Jacarepaguá.

No alto comando do crime, o denunciado Edgard Alves de Andrade, o Doca, é apontado como liderança do Comando Vermelho no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento. Também exercem liderança Pedro Paulo Guedes, Pedro Bala, Carlos Costa Neves, Gadernal, e Washington Cesar Braga da Silva, Grandão, além de um grupo de gerência e de soldados responsáveis por logística, contabilidade e segurança armada.

Durante a coletiva, o secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, recebeu a confirmação da prisão de Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como “Belão do Quintugo”, considerado braço direito de Doca. Apontado como chefe do Morro do Quitungo, também na Penha, ele é investigado por ações ligadas ao tráfico de drogas, comércio de armas e confrontos com facções rivais. A detenção foi tratada como um dos principais resultados imediatos da Operação mais letal do Rio.

O governador Cláudio Castro, do PL, afirmou que não solicitou apoio ao governo federal para esta ação, citando negativas anteriores de empréstimo de blindados. Em suas palavras, “Tivemos pedidos negados três vezes. Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO (Garantia da Lei e da Ordem), e o presidente ( Lula) é contra a GLO. Cada dia é uma razão para não colaborar”. Ele acrescentou, “O estado está fazendo a sua parte, sim, mas, quando se fala em exceder — exceder, inclusive, as nossas competências —, já era para haver um trabalho de integração muito maior com as forças federais – o que, neste momento, não está acontecendo.”

A entrevista ocorreu no CICC e contou também com a presença dos secretários da Segurança Pública do Rio, Victor dos Santos, e da Polícia Militar, Marcelo de Menezes. O governo estadual reforçou que a operação foi apoiada pela CSI, MPRJ, pela Core, PCERJ, e pelo Bope, PMERJ, e que novas fases, segundo as autoridades, devem manter o foco em sufocar logística, lideranças e o arsenal do Comando Vermelho nas zonas norte e oeste, em continuidade ao esforço que resultou na Operação mais letal do Rio.

 

Leia58.blog com Metrópoles

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