A morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, ganhou destaque no relatório final da CPI do Crime Organizado. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, dedicou sete parágrafos do documento de 221 páginas para abordar o caso, levantando sérias suspeitas sobre as circunstâncias do falecimento. O relatório, apresentado nesta terça-feira (14), sugere que o incidente pode se enquadrar em um padrão de “queima de arquivo”, comum em organizações criminosas de alta complexidade, onde a eliminação de elos é uma estratégia para proteger os escalões superiores.
Mourão, que era aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria atentado contra a própria vida horas após sua prisão. A Polícia Federal ( PF) o apontava como operador de uma suposta milícia privada, que estaria sob a liderança de Vorcaro. A ausência de um laudo conclusivo do Instituto Médico Legal (IML) e a falta de acesso da família e da defesa ao inquérito e às imagens de segurança da PF em Minas Gerais intensificam o mistério em torno do ocorrido.
A morte de “Sicário” e a investigação pendente
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão faleceu em 6 de março de 2026, aos 43 anos, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Contudo, até o momento, não há um laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) que determine a causa final da morte. Esta lacuna tem sido um ponto central de preocupação para a família e sua defesa, que aguardam ansiosamente por uma conclusão técnica e pelo acesso irrestrito ao inquérito instaurado para apurar o incidente. A falta de comunicação oficial por parte das autoridades, com a família tomando conhecimento dos fatos exclusivamente pela imprensa, agrava a situação e alimenta as especulações.
O contexto do “Caso Master” e a “milícia privada”
O falecimento de “Sicário” está intrinsecamente ligado ao “Caso Master”, uma investigação que inicialmente focava em fraudes em carteiras de crédito. No entanto, as apurações se expandiram para incluir a existência de uma “milícia privada”, que supostamente atuava para silenciar opositores aos negócios de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal atribuiu a Mourão o papel de operador dessa estrutura. Em meio a essas revelações, a relação entre o banqueiro e ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, tem gerado repercussão crítica nos meios político e jurídico, adicionando camadas de complexidade ao cenário.
A defesa da família e o silêncio oficial
A defesa dos familiares de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, representada pelo advogado Vicente Salgueiro, emitiu uma nota pública expressando a preocupação com o silêncio do Estado na elucidação do incidente. A família reitera que não foi formalmente comunicada sobre a alegada tentativa de suicídio de Phillipi, tomando conhecimento da informação apenas por meio da imprensa. Eles aguardam acesso às imagens de segurança da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais e a todos os autos do inquérito. A família contesta veementemente a imputação de “sicário” a Mourão, afirmando que ele era uma pessoa de amplo convívio social, sem histórico de depressão ou comportamento autolesivo, e que jamais teve conhecimento de seu envolvimento em atos de violência, buscando a proteção da honra e memória de Phillipi.
Implicações e repercussões políticas
A menção detalhada à morte de “Sicário” no relatório da CPI do Crime Organizado sublinha a gravidade das suspeitas levantadas. A comissão, ao não descartar a hipótese de “queima de arquivo”, aponta para a necessidade de um escrutínio público rigoroso, especialmente em casos que envolvem organizações criminosas de alta complexidade. A busca por clareza e responsabilização por eventuais falhas durante o acautelamento de Mourão é vista como crucial, independentemente da causa definitiva de sua morte. O caso continua a gerar debates e a exigir respostas das autoridades competentes, como a Polícia Federal, a Polícia Civil de Minas Gerais e o Supremo Tribunal Federal, que foram contatados pela imprensa para manifestação.
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Fonte: gazetadopovo.com.br










