Justiça Federal prorroga afastamento de delegado-geral e agente da Polícia Civil de Alagoas investigados por fraudes em concursos
A Justiça Federal na Paraíba decidiu prorrogar por mais 60 dias o afastamento de um delegado e de um agente da Polícia Civil de Alagoas. A medida atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).
O objetivo é evitar novas interferências nas investigações sobre um suposto esquema de fraudes em concursos públicos. O MPF argumenta que ainda há diligências pendentes e que os investigados poderiam atrapalhar o andamento do processo.
A decisão judicial considera que as circunstâncias que levaram ao afastamento inicial, em março deste ano, permanecem. Conforme o MPF, há risco de que os investigados utilizem suas funções para criar embaraços, como já teria ocorrido em um caso de vazamento de informações sobre uma operação policial.
Perícia em celular e novo concurso sob escrutínio
O MPF destacou a importância da continuidade do afastamento para a realização de uma perícia em um aparelho celular apreendido na cela do agente. Esta etapa é considerada crucial para aprofundar as investigações sobre o esquema de fraudes.
Além disso, a prorrogação visa garantir que o novo concurso para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas ocorra de forma justa e sem fraudes. O MPF quer evitar qualquer tipo de interferência indevida por parte dos investigados nesse processo.
Regalias e itens apreendidos na cela do agente
Documentos indicam que o delegado, quando ocupava o cargo de delegado-geral, teria atuado para obter regalias para seu subordinado, que estava detido em uma delegacia. Durante uma busca na cela do agente, foram encontrados uma smart TV com acesso à internet e um celular.
O aparelho celular foi apreendido pela Polícia Federal para perícia. O MPF apresentou indícios de que o delegado teria facilitado o acesso a esses itens ao agente, que estava custodiado em razão de outro processo criminal.
Operações anteriores e desdobramentos
As investigações atuais são um desdobramento de operações anteriores, como a Última Fase, Concorrência Simulada e Loki. Estas operações apuram a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos públicos de alta concorrência em diversos estados do país.
As apurações já identificaram indícios de uso de pontos eletrônicos, envio de respostas em tempo real, utilização de “clones” para realizar provas e possível vazamento de informações sigilosas de operações policiais. O MPF já obteve medidas cautelares, buscas e apreensões, e apresentou a primeira denúncia criminal relacionada ao esquema, envolvendo fraudes no concurso da Polícia Federal de 2025.
A Justiça ressalta que o afastamento cautelar não é uma antecipação de condenação, mas sim uma medida prevista em lei para impedir novas interferências nas investigações e garantir a apuração adequada dos fatos.
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