Em 11 de julho, a Autoridade de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB) da Índia divulgou o relatório preliminar sobre um acidente aéreo que resultou na morte de 19 pessoas em solo e deixou 241 ocupantes a bordo da aeronave.
O documento trouxe informações sobre as circunstâncias do incidente, que está sendo investigado, e um fato chamou a atenção: uma indagação de um piloto a outro na cabine, como reportou o The Aviation Herald.
Conforme o relatório, a quadrante do comando de potência da aeronave sofreu danos térmicos significativos devido ao incêndio após o acidente. Ambos os manetes de potência foram encontrados próximos à posição de marcha lenta (idle), mas os dados do Gravador de Dados de Voo (EAFR) mostraram que os manetes permaneceram na posição de potência de decolagem até o impacto.
Os interruptores de controle de combustível estavam na posição “RUN”, e as alavancas de reversão estavam dobradas, mas na posição “armazenada”.
Os flaps estavam firmemente posicionados em 5 graus, adequados para decolagem, e a porta de entrada do APU estava aberta. A Ram Air Turbine (RAT) foi ativada logo após a decolagem, pois a aeronave começou a perder potência e altitude ainda antes de cruzar o muro do perímetro do aeroporto.
A aeronave atingiu a velocidade máxima registrada de 180 nós de velocidade indicada quando os interruptores de corte de combustível dos motores 1 e 2 mudaram de RUN para CUTOFF, um após o outro, com um intervalo de um segundo. Em outras palavras, houve corte no suprimento de combustível e os motores estavam deixando de dar potência.
Durante a gravação de voz da cabine, um dos pilotos é ouvido perguntando ao outro: “Por que você cortou os motores?”, ao que o outro respondeu que não o havia feito. A partir de então, os dados do gravador de dados indicaram que os valores de empuxo de ambos os motores caíram abaixo do mínimo para marcha lenta, acionando a RAT.
O relatório também indica que o interruptor de combustível do Motor 1 foi restabelecido para RUN em seguida. Segundos depois, o interruptor de combustível do Motor 2 também voltou para RUN.
Quando os interruptores de controle de combustível são movidos de CUTOFF para RUN enquanto a aeronave está em voo, o sistema de controle de cada motor (FADEC) gerencia automaticamente uma sequência de reinício e recuperação de potência com ignição e introdução de combustível.
As temperaturas dos gases de escape (EGT) começaram a subir em ambos os motores, indicando um reinício dos motores. O Motor 2 conseguiu reiniciar, mas não havia mais tempo de recuperar a aeronave, que caiu em uma área habitada.
Antes da queda, um dos pilotos transmitiu um “MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY”. O controlador de tráfego aéreo (ATCO) questionou sobre o código de chamada, mas não obteve resposta e observou a aeronave colidindo fora dos limites do aeroporto, ativando a resposta de emergência.
A investigação agora prossegue um relatório final deverá levar meses até ficar pronto. Esse relatório deverá revelar o que realmente causou a queda do voo Air India 171. Não foram revelados mais detalhes do gravador de voz da cabine.
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Por: Carlos Ferreira para Aeroin










