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Patos à beira do colapso hídrico: adutora rompe duas vezes e população revive cenário de seca extrema

Patos e boa parte do Sertão paraibano vivem, neste momento, uma das situações mais críticas dos últimos anos. A estiagem prolongada, aliada ao colapso do sistema de abastecimento, colocou a cidade à beira de uma crise hídrica sem precedentes recentes. Nos últimos dias, a adutora Coremas–Sabugi — responsável por abastecer Patos e municípios vizinhos — estourou duas vezes seguidas, desmontando qualquer previsibilidade no fornecimento de água e mergulhando a população em pânico.

O resultado foi imediato: bairros inteiros, incluindo áreas centrais, ficaram totalmente sem água. Quem tinha condições financeiras recorreu aos carros-pipa; quem não tinha, ficou entregue à própria sorte. Somente neste fim de semana o abastecimento começou a retornar pontualmente em algumas localidades — sempre acompanhado de um temor coletivo: o medo de que a adutora volte a romper, o que muitos consideram bastante provável diante da fragilidade do sistema.

A crise atual, porém, não é fruto apenas da estiagem. Ela é consequência direta de anos de abandono político, obras improvisadas e soluções emergenciais que, de tão precárias, nunca passaram de paliativos.

Nos anos 1980, o governo Ronaldo Cunha Lima improvisou uma canalização puxando água da Barragem de Capoeira — medida que “quebrou o galho”, mas incapaz de sustentar longos períodos de seca. Décadas depois, sob forte pressão da então deputada Francisca Mota e articulação política de Efraim Morais, o governo José Maranhão construiu outra adutora “de emergência”, ligada à sangria do Açude Coremas, na altura de São Bentinho. O problema é que o projeto foi executado com tubos incompatíveis com a alta pressão necessária para percorrer 180 km, passando por 11 estações elevatórias e uma vazão estimada de 450 m³/h.

O resultado? Estouramentos constantes, que renderam à estrutura o apelido de “adutora de papelão”. Para piorar, as interrupções de energia ao longo do trajeto são frequentes, comprometendo ainda mais o sistema.

O cenário desta manhã voltou a lembrar épocas de grande estiagem: filas de carros-pipa ocuparam o entorno do famoso poço do Presídio, que mais uma vez se torna a principal salvação para milhares de famílias sedentas. Uma cena dolorosa para uma cidade que abriga figuras de alto peso político nacional e estadual, como o presidente da Câmara dos Deputados, uma deputada estadual e um pré-candidato ao Senado.

Ao mesmo tempo, os reservatórios locais estão praticamente esgotados. A Barragem da Farinha opera com menos de 2% da capacidade, em nível crítico. O Açude do Jatobá e a Barragem de Capoeira também estão em situação alarmante, com volumes abaixo de 15%, o que já indica risco real de desabastecimento prolongado.

leia também: Nota Informativa – Falta de Água nas Cidades Atendidas pelo Sistema Coremas/Sabugi

Diante desse quadro, o Complexo Coremas–Mãe d’Água segue sendo tratado como “reserva de emergência”, mas até ele enfrenta limitações em períodos de seca severa. Resultado: a CAGEPA implantou rodízio de abastecimento em Patos e nas cidades vizinhas, numa tentativa de distribuir o pouco que resta.

A população, cansada de décadas de promessas e improvisos, agora depende do que resta da infraestrutura e, sobretudo, da natureza. Em meio ao colapso iminente, a esperança se resume ao essencial: rezar por um bom inverno.

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