Depois de uma curta caminhada — três voltas ao redor do Colégio Cristo Rei, o que para mim já é um bom começo — segui com aquilo que costumo chamar de caminhada contemplativa. Uma amiga, irmã religiosa da instituição, costuma definir assim esses momentos em que o corpo se movimenta e a mente viaja por reflexões profundas.
Logo na primeira volta, encontrei o padre Luciano Morais, hoje capelão do Colégio Cristo Rei. Trocamos algumas palavras rápidas, mas sempre agradáveis. Em seguida, continuei meu percurso, firme no propósito de perder alguns quilos e, ao mesmo tempo, mergulhado em pensamentos sobre o momento atual do país e da política.
Confesso que nunca vi tanta gente comunicativa como agora. São políticos sorridentes, beijoqueiros, apaixonados por uma boa comida caseira, distribuindo abraços, promessas e discursos para todos os lados. Em tempos assim, nós, jornalistas, acabamos pagando um preço alto por cumprir nosso papel.
Quando denunciamos desmandos, irregularidades e desvios de recursos públicos, passamos a incomodar aqueles que preferem o silêncio. A recompensa, muitas vezes, vem na forma de intimidações e processos judiciais. Não é uma realidade exclusiva de um estado ou de uma região. Na Paraíba, como em outras partes do Brasil, muitos profissionais da imprensa enfrentam a mesma situação.
A lógica parece simples: quando uma reportagem destaca uma obra ou uma ação positiva de determinado gestor, o jornalista é tratado como um grande profissional. Mas basta apontar problemas, questionar decisões ou denunciar irregularidades para que surjam ataques, pressões e processos.
E não pensem que esta é uma profissão fácil. O jornalismo não é para covardes. Muitos profissionais enfrentam diariamente o dilema entre a independência e a sobrevivência financeira. Em muitos lugares, especialmente onde o poder público exerce forte influência, ou você é acolhido pelos gestores ou passa a ser alvo deles e de seus auxiliares.
Infelizmente, nossa representação de classe nem sempre possui a força e a independência necessárias para enfrentar essas batalhas. Por isso, seguimos quase sempre sozinhos, sustentados pela convicção de que estamos fazendo o que é certo.
O que me fortalece é a consciência de que não enfrento os poderosos por interesse pessoal. Faço isso acreditando que um jornalismo livre e corajoso ajuda a construir uma sociedade mais justa e um futuro melhor.
Entrei para o jornalismo inspirado por um filme que retratava as atrocidades cometidas durante a ditadura de Anastasio Somoza, na Nicarágua, período em que diversos jornalistas foram perseguidos e assassinados por exercerem sua profissão. Aquela história me marcou profundamente e ajudou a moldar minha visão sobre o verdadeiro papel da imprensa.
Talvez por isso eu não saiba recuar diante das dificuldades. Continuo acreditando que informar com responsabilidade, denunciar quando necessário e defender a verdade são compromissos que valem qualquer sacrifício.
O jornalismo, definitivamente, não é uma profissão para covardes.
Por: Marcelo Negreiros – Jornalista DRT-2974-PB
Fonte: manual-1781091121598










