Irã em Ebulição: Mais de 190 Mortos em Protestos e Ameaças aos EUA
O número de mortos pela repressão à onda de protestos no Irã subiu para 192, conforme informou a Iran Human Rights, uma organização não governamental com sede na Noruega. O balanço trágico ocorre em meio a relatos de violência policial e um aumento significativo no confronto com as forças de segurança.
As manifestações, que começaram há duas semanas com foco em questões econômicas, evoluíram para um clamor contra o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei. A situação é agravada por um apagão nacional de internet que já dura dias, dificultando a verificação independente do número real de vítimas e a comunicação.
O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu que o “nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, enquanto o líder supremo Khamenei acusou os Estados Unidos de incitarem os protestos, classificando os envolvidos como “vândalos”. A organização Iran Human Rights alerta que o número real de mortos pode ser substancialmente maior devido às dificuldades de comunicação.
Tensão Geopolítica e Ameaças de Retaliação
Em um cenário de crescente instabilidade, o Irã elevou o tom contra os Estados Unidos, afirmando que atacará alvos militares e navios americanos caso haja intervenção em apoio aos manifestantes. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, declarou que “tanto o território ocupado quanto os centros militares e navios dos EUA serão nossos alvos legítimos”, referindo-se também a Israel, que o Irã não reconhece.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu à população que se distancie de “terroristas e baderneiros”, ao mesmo tempo em que acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país. Ele buscou uma via de diálogo com os manifestantes, mas a Guarda Revolucionária reiterou que a “segurança nacional é um ponto inegociável”.
Israel em Alerta Máximo e Discurso de Defesa do Regime
Diante das ameaças iranianas e do apoio declarado dos EUA aos manifestantes, Israel entrou em estado de alerta máximo. Autoridades israelenses, falando anonimamente, indicaram preocupação com a possibilidade de intervenção. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia conversado com o secretário de Estado americano sobre a situação.
O regime iraniano tem consistentemente acusado os EUA e Israel de fomentarem os atos de protesto. Essa narrativa foi reforçada pelo presidente Pezeshkian, que afirmou que Washington e Tel Aviv desejam disseminar “caos e desordem”. As Forças Armadas dos EUA, por sua vez, declararam estar posicionadas no Oriente Médio com capacidade para defender seus interesses e aliados.
Protestos se Espalham e Forças de Segurança Sofrem Baixas
As manifestações, as maiores em uma década, se espalharam por diversas cidades iranianas, com vídeos mostrando grandes multidões em protesto. A mídia estatal exibiu imagens de funerais de membros das forças de segurança mortos durante os confrontos em cidades como Shiraz, Isfahan e Kermanshah. A Guarda Revolucionária acusou “terroristas” de atacarem instalações de segurança.
As autoridades iranianas intensificaram os esforços para conter os distúrbios, que eclodiram inicialmente por insatisfação com a inflação crescente e evoluíram para um levante contra o establishment clerical que governa o país desde 1979. Um apagão de internet imposto desde quinta-feira, 8, reduziu a conectividade nacional a cerca de 1% do normal, segundo a ONG Netblocks.
Histórico de Confronto e Cenário de Resistência
A situação atual no Irã é descrita por uma autoridade de inteligência dos Estados Unidos como um “jogo de resistência”, onde a oposição busca manter a pressão enquanto as autoridades tentam semear medo para esvaziar as ruas. O Irã e Israel, arqui-inimigos, já se enfrentaram em conflitos anteriores, com os EUA apoiando Tel Aviv em ataques a instalações nucleares iranianas em junho passado.
Na ocasião, o Irã retaliou disparando mísseis contra uma base aérea americana no Catar. A 5ª Frota da Marinha dos EUA, baseada no Oriente Médio, está estacionada no Bahrein, evidenciando a presença militar americana na região. As autoridades iranianas já sufocaram outros protestos em ondas anteriores, como em 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia.
leia58.blog com informações de / AFP e AP










