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G20 em crise: líderes ausentes e pautas globais em risco

G20 em crise: líderes ausentes e pautas globais em risco

Cúpula da África do Sul enfrenta baixo comparecimento e desafios para avançar temas cruciais em meio a protecionismo global

Ausências de peso marcam início da cúpula do G20

A edição de 2025 do G20, realizada em Joanesburgo, na África do Sul, iniciou com um cenário preocupante: a ausência de chefes de Estado de potências como Rússia, China, México e Argentina. Para agravar a situação, os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, não enviaram qualquer representante, marcando a falta da maior economia mundial. Essa significativa ausência de líderes aumenta as chances de que o fórum multilateral não consiga alcançar avanços práticos nas pautas globais propostas, que incluem desde o fortalecimento do comércio multilateral até políticas climáticas coordenadas.

Contexto global adverso dificulta acordos

O cenário internacional atual, marcado pelo aumento de tarifas, o avanço do protecionismo e a redução da cooperação entre nações, vai na contramão dos objetivos defendidos nas edições anteriores do G20. A professora de finanças e economia da ESPM, Mariana Oreng, explica que o G20, por não ser um órgão institucionalizado como a ONU ou a OMC, não emite resoluções vinculantes. No entanto, ela ressalta que a cooperação e o diálogo promovidos pelo grupo são “o único guia que a gente tem para pensar em recomendações e cumprimento de objetivos e necessidades globais”.

Sustentabilidade e aliança contra a fome em foco, mas com ritmo lento

Apesar dos desafios, alguns avanços foram notados, especialmente em temas como a taxação, embora ainda não no nível de consenso global desejado. Mariana Oreng destaca a importância da sustentabilidade, que deixou de ser uma pauta secundária para se tornar “intrinsecamente ligada ao progresso econômico e à estabilidade global”. Luciano Nakabashi, professor associado da FEA-RP/USP, concorda que “1 ano é pouco para grandes avanços”, mas aponta o crescimento da aliança global contra a fome e a pobreza, que saltou de 82 para 105 países participantes em um ano. Contudo, ele lamenta o “pouco” avanço em relação à redução do uso de combustíveis fósseis e às reformas de instituições globais, atribuindo parte da instabilidade política a medidas de Donald Trump que geraram incerteza no comércio internacional.

Presidência sul-africana foca em solidariedade e integração africana

Sob a presidência da África do Sul, a cúpula adota o tema “Solidariedade, igualdade e sustentabilidade”, refletindo os objetivos da União Africana (UA). A UA busca promover a paz, o desenvolvimento econômico e a integração política do continente, atuando como um fórum multilateral que representa 55 países. A organização defende o multilateralismo como sistema de relações internacionais para negociações coletivas e soluções conjuntas para desafios globais, garantindo a representação africana em fóruns como a ONU e o G20.

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