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Chuva expõe prioridades tortas em Patos: LED para festa, escuridão para salvar vidas

Como havia alertado o INMET, o céu resolveu cair sobre o sertão paraibano — literalmente. As chuvas intensas que atingiram diversas cidades do interior da Paraíba trouxeram o velho contraste: alívio para quem sofre com a seca, mas também transtornos, prejuízos e muito o que explicar por parte do poder público.

Em algumas localidades, o cenário foi digno de filme: chuva de granizo, árvores no chão e estruturas destruídas pela força do vento. Em Patos, o temporal mostrou que nem concreto nem discurso político resistem quando a natureza cobra a conta.

A região mais castigada foi o entorno do giradouro da entrada da cidade, próximo ao Atacadão. Por lá, o vento derrubou postes de iluminação, arrancou o teto de uma concessionária de veículos, estilhaçou os vidros da entrada de uma loja de motos e fez o serviço completo na estrutura montada para o pré-Carnaval “Sol Folia”, previsto para os dias 7 e 8 de fevereiro, na Alça Sudeste. O palco da folia estava praticamente pronto. Bastou uma rajada mais forte e… foi-se quase tudo ao chão.

Nas redes sociais e nos bastidores da cidade, os comentários foram imediatos — e nada amistosos. Muitos patoenses viram no episódio mais um símbolo do descaso do prefeito de Patos, hoje pré-candidato ao Senado Federal, que parece governar com os olhos voltados para o palanque e as costas viradas para os problemas reais da população.

Chamou atenção, inclusive, a rapidez com que a Prefeitura instalou iluminação extra em LED na Alça Sudeste, caprichando na infraestrutura para garantir brilho e visibilidade ao evento festivo. Para o Carnaval antecipado, não faltou agilidade, nem recursos, nem discurso bonito.

Já em outro ponto da cidade, onde vidas estão literalmente em risco, a pressa some. O trecho urbano da BR-361, entre o Conjunto Bivar Olinto e o Residencial Itatiunga, continua às escuras. Ali, acidentes se acumulam, mortes já aconteceram e feridos seguem entrando para a estatística do descaso. A promessa de iluminação pública existe desde pelo menos setembro de 2025, mas até agora permanece no mundo mágico das intenções não cumpridas.

Motoristas e motociclistas denunciam que a falta de iluminação transforma o trecho numa armadilha noturna, agravada pela presença de animais na pista e pela baixa visibilidade. Mas, ao que tudo indica, salvar vidas não rende fotos nem palanque.

A crítica também respinga no patoense Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, acusado por muitos de virar as costas para os problemas locais, enquanto posa de líder nacional e silencia diante das injustiças que atingem parte da população — inclusive aquelas escancaradas no dia a dia de sua própria terra.

Outro ponto que gerou revolta foi a realização de um evento desse porte em uma cidade que enfrenta falta d’água quase diariamente, sem que os gestores apresentem qualquer solução concreta. Tem festa, tem luz de LED, mas falta água na torneira — um retrato fiel da inversão de prioridades.

A chuva passou, os estragos ficaram e as perguntas seguem sem resposta. Resta agora observar os próximos capítulos e torcer para que o povo, entre um temporal e outro, caia na real antes de cair novamente no discurso fácil de sempre.

leia8.com

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