Em 1985, morava com minha esposa na primeira casa que alugamos. Era um sábado, daqueles em que uma cervejinha com os amigos parece o melhor plano do mundo. Estávamos eu, o saudoso Antônio Marcos — irmão de Pingolinha e outro saudoso, Romuleudo, meu amigo de infância — e começamos a beber por volta das onze da manhã.
O problema é que, perto das sete da noite, o bar e bodega ali da Rua Floriano Peixoto fechou as portas. Ficamos sem cerveja, e a sede não tinha hora pra acabar.
Foi então que tive uma ideia — daquelas que só o álcool explica: sugeri tomarmos uns licores que haviam sobrado do nascimento da minha primogênita, em novembro de 1984. Eram feitos por minha sogra, uma verdadeira especialista em licores. Lembro bem das três garrafas: uma azul, outra verde e uma vermelha.
Começamos pela vermelha. O primeiro a provar foi Romuleudo, que fez uma careta digna de filme. Pensei que era brincadeira. Depois foi Antônio Marcos, com a mesma reação. Eu, duvidando, provei também. Que tragédia! O gosto era horrível — amargo, forte e absolutamente intragável. Mas, claro, tinha o “dedo da sogra”, e ninguém ousou criticar muito. Terminamos a garrafa, heroicamente.
No dia seguinte, ao assistir à gravação da farra, minha esposa perguntou:
— Vocês tomaram mesmo aquelas garrafas do barzinho?
Confirmei, com orgulho. Foi então que veio a revelação:
— Aquilo não era licor, era álcool com anilina! Eu só tinha colocado pra enfeitar, o licor já tinha acabado!
Era tarde demais. Nós três estávamos com os lábios rachados, o céu da boca dormente e a cabeça, nem se fala…
Apaguei parte da gravação sem querer, mas o pouco que restou ainda me arranca risadas e lembranças. Ah, e as brincadeiras com as bebidas da São Braz e Mazille naquele dia foram apenas gozação com meu cunhado da época, o Carrinho da Corôa.
Marcelo Negreiros
Compartilhe isso:
Relacionado
Descubra mais sobre leia58.blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.