Samuca, o ciclista cego que viralizou ao descer o Morro da Lagoa pedalando, conta sua história e projeta quebrar um recorde mundial
Samuca e a placa de ciclista cego que fica na bike – Foto: Rodrigo Polidoro/NDO som que sai ao dedilhar o violão, a brisa forte que bate ao andar de bicicleta e a textura da água são nítidas na mente de Samuel Luiz Stumpf, atleta cego que viralizou recentemente ao descer o Morro da Lagoa de bike acompanhado de um guia.
Diagnosticado com retinose pigmentar, doença que faz a visão ser perdida de forma progressiva, Samuca se reinventou por meio do esporte e tem superado obstáculos inimagináveis.
Andar de bicicleta com a placa “ciclista cego’ tem chamado atenção das pessoas nas ruas, mas é só o começo para alcançar um feito inédito e que ninguém no mundo conseguiu realizar até hoje.
“Vou ser a primeira pessoa cega do mundo a concluir o Ironman pilotando a própria bicicleta, é o meu desafio para o ano que vem. Tenho treinado pesado, volume bem absurdo, mas tenho curtido muito e me divertido nesse processo de evoluir e me desafiar”, conta.
Samuca também toca violão – Foto: Rodrigo Polidoro/NDA retinose pigmentar vem desde a infância e Samuca ficou totalmente cego, ele não enxerga com definição, mas sente as coisas.
“Quando eu fiz 23 anos de idade eu fiquei cego. Hoje eu não tenho percepção de imagem, só uma percepção luminosa, mas é bidimensional, então percebo alguma claridade mas não tem forma e nem cor. Sou uma pessoa que explora a vida e as possibilidades”, relata.
Sem enxergar, mas acompanhado da mulher Pamela e de Capone, o cão-guia que ele nunca viu e que está sempre junto, Samuca teve no esporte a oportunidade de seguir vivendo e se sentindo vivo.
“O esporte sempre me coloca numa interação comigo e com a sociedade, com as pessoas que se aproximam. A gente cria possibilidades que ninguém imaginou que seria possível e isso é uma coisa transformadora para todo mundo. Essa é a real inclusão que eu busco viver na minha vida e através do esporte eu consigo sentir isso muito presente”.
Capone é o cão-guia que acompanha o ciclista cego Samuca – Foto: Rodrigo Polidoro/NDCom rotina de atleta, o gaúcho radicado em Florianópolis encontrou na cidade a qualidade de vida para seguir pedalando sobre as dificuldades. Para cumprir o Ironman, que conta com 180km de bicicleta, 3,6km de natação e 42km de corrida, os treinos são intensos e contam com suporte de especialistas e amigos.
Afinal, é difícil imaginar que um ciclista cego ande de bike em estradas de areia, como tem em um dos vídeos publicados no Instagram.
“No mountain bike já tenho uns 20 anos de experiência, descer um morro é desfrutar do prazer que é estar em cima de uma bike, pilotando, um negócio que amo fazer”.
Pedalar, nadar e correr é o objetivo, mas o violão também serve para Samuca lembrar que as notas musicais dão continuam dando cor à sua vida.










