Rádio Mundial Web PB
AO VIVO
🔊

Faltou abraço? Lula teria deixado Nabor e Hugo Motta falando sozinhos

Nas urnas, Nabor ficou em terceiro. Nos bastidores, a pergunta é inevitável: onde estava o apoio de Lula?

A política tem dessas coisas: às vezes, um abraço vale mais do que um discurso inteiro. E foi justamente a falta dele que passou a incomodar aliados de Nabor Wanderley e Hugo Motta depois do resultado das eleições de domingo, 4 de outubro.

Em Patos, alguns eleitores e correligionários do grupo Motta/Wanderley não esconderam a frustração. A expectativa era de que o presidente Lula demonstrasse publicamente maior proximidade com Nabor, candidato ao Senado.

Para muitos, uma simples fotografia de Lula abraçando Nabor poderia ter produzido uma imagem politicamente poderosa. Não aconteceu — pelo menos da forma que os aliados esperavam.

Muito cargo, pouco abraço?

Nos bastidores, circula entre integrantes próximos às famílias Motta e Wanderley a avaliação de que Lula teria sinalizado apoio político a Hugo Motta e Nabor.

Mas veio a pergunta incômoda: apoio de verdade ou apenas apoio institucional?

É justamente aí que começa a provocação.

Na avaliação de críticos do grupo, o governo teria oferecido espaço, cargos e interlocução, mas faltou aquilo que eleitor entende rapidamente: presença, fotografia, gesto e demonstração pública de confiança.

E eleição, como se sabe, não se ganha apenas com estrutura. Muito menos com fotografia — mas perder uma fotografia importante também pode custar caro.

A estrutura estava lá. O resultado, não.

Nabor Wanderley chegou às urnas com uma estrutura política considerada forte, tendo Hugo Motta como um dos principais articuladores e apoiadores da campanha.

Mas o resultado foi duro: terceiro lugar na disputa pelo Senado.

E o problema não terminou aí.

A chapa também não conseguiu produzir o efeito esperado para a candidata que ocupava a segunda opção, ligada à família do governador reeleito Lucas Ribeiro.

Para os adversários, o resultado confirma o que já vinha sendo percebido nas ruas: estrutura política não significa necessariamente transferência automática de votos.

Para os aliados, entretanto, a explicação pode estar em outro lugar: rejeição, falta de apoio popular e, agora, a ausência de uma demonstração mais contundente de Lula.

E Veneziano aparece na fotografia

Como se o resultado das urnas não bastasse para aumentar a temperatura, veio outro movimento político.

Na segunda-feira, Lula recebeu Veneziano Vital do Rêgo no Palácio do Planalto para discutir estratégias relacionadas à campanha.

A imagem não passou despercebida.

Enquanto o grupo Motta/Wanderley tentava digerir o resultado das urnas, Veneziano aparecia novamente no radar presidencial.

Para uma das mais fervorosas aliadas do grupo, a leitura foi direta:

“Lula desprestigiou Hugo Motta e Nabor Wanderley.”

É uma avaliação política, não uma sentença definitiva. Mas é uma avaliação que revela o tamanho da insatisfação dentro de um grupo que até pouco tempo parecia ocupar posição privilegiada nos corredores do poder.

O alerta está aceso

O resultado de Nabor não representa apenas uma derrota eleitoral. É um recado político.

Hugo Motta continua sendo uma força importante em Brasília, mas a eleição mostrou que influência institucional não se transforma automaticamente em voto.

E talvez essa seja a principal lição deixada pelas urnas:

em política, cargo ajuda; dinheiro ajuda; estrutura ajuda. Mas o eleitor continua querendo saber quem está do seu lado.

E, pelo visto, em Patos, muita gente queria ter visto Lula dar aquele abraço.

O abraço não veio. O voto também não.

leia58.blog – Marcelo Negreiros – Jornalista DRT 2974/PB


Descubra mais sobre leia58.blog

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Veja também

Descubra mais sobre leia58.blog

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo