Nas urnas, Nabor ficou em terceiro. Nos bastidores, a pergunta é inevitável: onde estava o apoio de Lula?
A política tem dessas coisas: às vezes, um abraço vale mais do que um discurso inteiro. E foi justamente a falta dele que passou a incomodar aliados de Nabor Wanderley e Hugo Motta depois do resultado das eleições de domingo, 4 de outubro.
Em Patos, alguns eleitores e correligionários do grupo Motta/Wanderley não esconderam a frustração. A expectativa era de que o presidente Lula demonstrasse publicamente maior proximidade com Nabor, candidato ao Senado.
Para muitos, uma simples fotografia de Lula abraçando Nabor poderia ter produzido uma imagem politicamente poderosa. Não aconteceu — pelo menos da forma que os aliados esperavam.
Muito cargo, pouco abraço?
Nos bastidores, circula entre integrantes próximos às famílias Motta e Wanderley a avaliação de que Lula teria sinalizado apoio político a Hugo Motta e Nabor.
Mas veio a pergunta incômoda: apoio de verdade ou apenas apoio institucional?
É justamente aí que começa a provocação.
Na avaliação de críticos do grupo, o governo teria oferecido espaço, cargos e interlocução, mas faltou aquilo que eleitor entende rapidamente: presença, fotografia, gesto e demonstração pública de confiança.
E eleição, como se sabe, não se ganha apenas com estrutura. Muito menos com fotografia — mas perder uma fotografia importante também pode custar caro.
A estrutura estava lá. O resultado, não.
Nabor Wanderley chegou às urnas com uma estrutura política considerada forte, tendo Hugo Motta como um dos principais articuladores e apoiadores da campanha.
Mas o resultado foi duro: terceiro lugar na disputa pelo Senado.
E o problema não terminou aí.
A chapa também não conseguiu produzir o efeito esperado para a candidata que ocupava a segunda opção, ligada à família do governador reeleito Lucas Ribeiro.
Para os adversários, o resultado confirma o que já vinha sendo percebido nas ruas: estrutura política não significa necessariamente transferência automática de votos.
Para os aliados, entretanto, a explicação pode estar em outro lugar: rejeição, falta de apoio popular e, agora, a ausência de uma demonstração mais contundente de Lula.
E Veneziano aparece na fotografia
Como se o resultado das urnas não bastasse para aumentar a temperatura, veio outro movimento político.
Na segunda-feira, Lula recebeu Veneziano Vital do Rêgo no Palácio do Planalto para discutir estratégias relacionadas à campanha.
A imagem não passou despercebida.
Enquanto o grupo Motta/Wanderley tentava digerir o resultado das urnas, Veneziano aparecia novamente no radar presidencial.
Para uma das mais fervorosas aliadas do grupo, a leitura foi direta:
“Lula desprestigiou Hugo Motta e Nabor Wanderley.”
É uma avaliação política, não uma sentença definitiva. Mas é uma avaliação que revela o tamanho da insatisfação dentro de um grupo que até pouco tempo parecia ocupar posição privilegiada nos corredores do poder.
O alerta está aceso
O resultado de Nabor não representa apenas uma derrota eleitoral. É um recado político.
Hugo Motta continua sendo uma força importante em Brasília, mas a eleição mostrou que influência institucional não se transforma automaticamente em voto.
E talvez essa seja a principal lição deixada pelas urnas:
em política, cargo ajuda; dinheiro ajuda; estrutura ajuda. Mas o eleitor continua querendo saber quem está do seu lado.
E, pelo visto, em Patos, muita gente queria ter visto Lula dar aquele abraço.
O abraço não veio. O voto também não.
leia58.blog – Marcelo Negreiros – Jornalista DRT 2974/PB
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