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Quedas de Energia em PATOS: População Sofre Prejuízos, e ENERGISA Precisa dar Explicações e Apresentar Soluções

Vereadora Fátima Bocão cobra providências urgentes, enquanto consumidores relatam queima de equipamentos e prejuízos. Além das falhas no fornecimento, a falta de transparência e de diálogo com a imprensa aumenta a insatisfação.

As constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica em Patos e municípios da região continuam provocando indignação entre consumidores. Depois de sucessivas interrupções, inclusive do apagão registrado na noite da quarta-feira (21), moradores relatam problemas que vão muito além do desconforto provocado pela falta de energia: equipamentos danificados, prejuízos financeiros e preocupação com serviços essenciais.

A situação exige uma resposta muito mais consistente da Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica. Afinal, o consumidor paga regularmente por um serviço que deve ser prestado com continuidade, segurança e qualidade. Não é razoável que famílias, comerciantes e instituições de saúde tenham de conviver com a insegurança de não saber quando a energia vai faltar ou quando uma oscilação poderá danificar seus equipamentos.

A cobrança também chegou à Câmara Municipal de Patos. Por meio do Requerimento nº 798/2026, a vereadora Fátima Bocão (Republicanos) solicitou providências técnicas urgentes e eficazes para solucionar as constantes interrupções e oscilações de tensão registradas no município.

Durante pronunciamento na tribuna da Casa Juvenal Lúcio de Sousa, na sessão ordinária desta quinta-feira (29), a parlamentar chamou a atenção para os prejuízos provocados pela instabilidade no fornecimento, especialmente em hospitais, clínicas, postos de saúde, estabelecimentos comerciais e indústrias.

“Estamos passando por um problema muito sério em nossa cidade que está prejudicando vários serviços, inclusive de saúde, a exemplo dos hospitais, clínicas, postos de saúde, da indústria e do comércio”, afirmou.

A vereadora também alertou para os relatos de consumidores que perderam eletrodomésticos e para a preocupação de pessoas que dependem de equipamentos elétricos para tratamentos de saúde, como nebulização.

O requerimento foi aprovado por unanimidade e subscrito pelo líder do prefeito na Câmara, vereador Maikon Minervino (PP).

UMA EXPLICAÇÃO NÃO RESOLVE O PROBLEMA

Anteriormente, a Energisa atribuiu as ocorrências à realização de serviços de manutenção na Subestação Coremas, estrutura importante para o abastecimento de energia no estado. A concessionária informou que o fornecimento seria normalizado após a conclusão dos trabalhos.

Entretanto, os relatos de consumidores sobre novas interrupções e oscilações continuaram mesmo depois da retomada do fornecimento.

Se a manutenção foi concluída, por que os problemas persistem? Houve alguma falha técnica? A rede elétrica que atende Patos e os municípios vizinhos está preparada para suportar a demanda? Quais providências adicionais estão sendo adotadas?

São perguntas legítimas, que precisam de respostas objetivas. A população não pode ficar refém de explicações genéricas enquanto continua arcando com as consequências de um serviço instável.

A IMPRENSA TAMBÉM ENCONTRA DIFICULDADES PARA OBTER RESPOSTAS

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a Energisa para obter esclarecimentos sobre as ocorrências, as medidas adotadas e os procedimentos disponíveis aos consumidores prejudicados. Entretanto, não conseguiu estabelecer comunicação efetiva com a empresa.

O atendimento disponibilizado é predominantemente on-line, com longas etapas de seleção de opções, digitações e informações, em um processo que torna difícil conseguir uma resposta objetiva. Também sentimos falta de um canal de relacionamento direto com a imprensa, que permita aos veículos de comunicação apresentar questionamentos e receber esclarecimentos oficiais com a agilidade que situações dessa natureza exigem.

Não se trata de exigir privilégios para jornalistas, mas de reconhecer que a comunicação com a imprensa é parte importante da transparência de uma concessionária que presta um serviço público essencial.

Quando a população reclama, a imprensa pergunta e os problemas continuam, o silêncio ou a dificuldade de comunicação apenas aumentam a desconfiança.

QUEIMOU GELADEIRA, AR-CONDICIONADO OU OUTRO EQUIPAMENTO? SAIBA COMO COBRAR

Um dos pontos mais importantes dessa situação diz respeito aos consumidores que tiveram equipamentos danificados em consequência de possíveis oscilações ou interrupções no fornecimento de energia.

A legislação e as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) asseguram ao consumidor o direito de solicitar o ressarcimento por danos elétricos em equipamentos, desde que seja demonstrada a relação entre o dano e a ocorrência na rede de distribuição.

A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 estabelece os procedimentos que devem ser observados pelas distribuidoras nesses casos.

O consumidor prejudicado deve tomar algumas providências:

  1. Registrar imediatamente a reclamação: entre em contato com a Energisa pelos canais oficiais e solicite a abertura de um pedido de ressarcimento por dano elétrico. Guarde o número do protocolo.
  2. Informar os equipamentos danificados: descreva o aparelho, a marca, o modelo, a data e o horário aproximado em que ocorreu o problema.
  3. Guardar provas: registre fotografias, vídeos, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos de conserto e documentos que possam demonstrar o prejuízo.
  4. Solicitar avaliação e ressarcimento: peça formalmente a análise do dano e a reparação correspondente. Não descarte o equipamento nem providencie reparos antes de verificar as orientações da concessionária sobre eventual inspeção.
  5. Guardar todos os protocolos: anote datas, horários, respostas e eventuais negativas da empresa.

A regulamentação da ANEEL prevê, em regra, prazo de até cinco anos para solicitar o ressarcimento, mas o consumidor deve fazer a reclamação o quanto antes. Os prazos para verificação, resposta e ressarcimento variam conforme o tipo de equipamento e a situação, observadas as condições previstas na regulamentação.

Se o pedido for negado sem justificativa convincente, o consumidor poderá recorrer à própria ANEEL, aos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e, se necessário, à Justiça.

E OS OUTROS PREJUÍZOS?

A discussão não se limita à queima de eletrodomésticos.

Comerciantes que perderam mercadorias por falta de refrigeração, empresas que tiveram atividades interrompidas e consumidores que sofreram outros danos materiais também podem buscar reparação, desde que consigam comprovar o prejuízo e sua relação com a falha no fornecimento.

O Código de Defesa do Consumidor, especialmente em seu artigo 22, estabelece que os órgãos públicos e suas concessionárias devem fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.

O artigo 14 também prevê a responsabilidade do fornecedor por danos causados por defeitos na prestação do serviço, observadas as regras legais e as circunstâncias de cada caso.

Isso significa que a concessionária não pode simplesmente ignorar os prejuízos apresentados pelos consumidores. Cada situação precisa ser analisada, mas o cidadão tem o direito de reclamar e buscar a reparação cabível.

A POPULAÇÃO QUER ENERGIA DE QUALIDADE, NÃO APENAS EXPLICAÇÕES

A cobrança apresentada pela vereadora Fátima Bocão representa uma reivindicação que vai além dos limites da Câmara Municipal. É uma preocupação de toda a população de Patos e da região.

A Energisa precisa apresentar um diagnóstico das causas das ocorrências, esclarecer se os serviços realizados na Subestação Coremas foram suficientes, informar quais intervenções estão sendo executadas e estabelecer medidas capazes de impedir a repetição dos problemas.

Também é necessário disponibilizar atendimento acessível, orientar os consumidores prejudicados e manter um canal de comunicação transparente com a imprensa.

Energia elétrica não é um favor prestado ao cidadão. É um serviço essencial, pelo qual o consumidor paga e cuja qualidade tem obrigação de ser assegurada.

A população de Patos não quer apenas saber por que a energia está faltando. Quer saber quando o problema será definitivamente resolvido e quem vai pagar pelos prejuízos que já foram provocados.

Com informações sobre o requerimento apresentado pela vereadora Fátima Bocão.

lei58.blog – Marcelo Negreiros


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