Os festejos juninos de Patos, no Sertão paraibano, parecem ter perdido completamente a essência que, durante décadas, fez do São João uma das maiores manifestações culturais do Nordeste. No Terreiro do Forró, houve de tudo: grandes atrações, multidões, forte apelo comercial e uma estrutura monumental. Faltou apenas o principal: forró, baião, xote e xaxado.
A estrutura montada impressionou pelo tamanho e grandiosidade. No entanto, a decoração deixou a desejar. O palco, com uma fachada em formato de labaredas, pouco dialogava com a tradição junina. O letreiro “São João de Patos”, com cores e dimensões desproporcionais, destoava completamente do ambiente, lembrando mais a fachada de um estabelecimento de venda de açaí do que a identidade de uma festa popular grandiosa. Pra alguns, lembrava aquela deputada federal que usa sempre uma tiara de flores na cabeça.
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O sistema de som era de excelente qualidade, para algumas atrações, mas o repertório musical seguiu a tendência observada em diversas cidades nordestinas: muita música comercial e pouca valorização dos ritmos genuinamente nordestinos. O espaço tornou-se um grande centro de consumo, com intensa movimentação de vendedores de bebidas, lanches, tira-gostos e serviços diversos. Os preços, nas alturas. Vários turistas reclamando nas redes sociais, os preços praticados por vendedores de cachorro quente e ainda na volta pra casa, pagar taxis com valores de viagem para a capital.
Mas, ao que parece, isso pouco importa. O que realmente interessa à administração pública é a presença de público — e isso não faltou. O Terreiro esteve lotado durante todos os dias de festa. Havia políticos, pré-candidatos, patrocinadores e celebridades. Havia segurança eficiente. Havia grandes atrações nacionais. Havia multidão. Mas não havia forró.
A cultura popular em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro ficou em segundo plano, quase invisível. Em tempos eleitorais, o que vale é reunir gente, e disso a festa esteve repleta.
Resta a esperança de que, nos próximos anos, a verdadeira essência junina encontre novamente espaço e que o autêntico forró volte a ocupar o lugar de protagonista nas festas do Nordeste.
Marcelo Negreiros – Jornalista DRT: 2974/PB










