Adeus a um gigante da música patoense: Antônio de Pádua Sátiro Xavier, a voz que marcou gerações, parte aos 77 anos
Patos perde hoje um de seus grandes símbolos culturais. A cidade acordou mais silenciosa, como se a própria terra sentisse a ausência repentina de um homem cuja voz, talento e presença marcaram profundamente a vida social e artística do município: Antônio de Pádua Sátiro Xavier, aos 77 anos, encerrou sua jornada, deixando para trás um legado impossível de ser apagado.
Morador do Jardim Europa, Seu Antônio de Pádua não era apenas um músico. Não era apenas um cantor. Ele era um marco de época, um daqueles artistas que se tornam parte da identidade de uma cidade. Na década de 70, como vocalista do conjunto “Os Jovens”, ganhou destaque com sua voz grave, firme e aveludada, capaz de encher salões, clubes e corações. A banda — que atravessou os anos 60, 70 e 80 — era formada por familiares, e juntos levaram o nome de Patos para além das fronteiras, encantando plateias e conquistando prêmios, como ocorreu em uma participação especial na cidade de Recife-PE.
Quem viveu as noites animadas das tertúlias no Hotel JK, as festas universitárias no Patos Tênis Clube, ou qualquer evento tradicional da cidade naqueles anos dourados, certamente guarda lembranças vívidas da presença de Pádua no palco. Era ali, sob as luzes fortes e o calor da multidão, que sua voz transformava músicas em memórias e memórias em emoção. Ele não cantava apenas: ele tocava a alma das pessoas.
Seu repertório era escolhido com cuidado, sempre prezando pela qualidade musical, pelo bom gosto e pela harmonia que guiava os músicos de Os Jovens — e ele, com sua interpretação inconfundível, dava vida nova a cada canção. Era daqueles artistas que não apenas executavam música, mas que faziam parte dela, como se cada nota fosse extensão natural de seu ser.
A perda de Antônio de Pádua deixa um silêncio doído. Um vazio que não se preenche. Ele era muito conhecido, muito querido e muito respeitado. Era daqueles nomes que, ao serem citados, fazem a cidade inteira abrir um sorriso saudoso. Era um artista, mas também um pai, esposo, amigo — um ser humano admirável.
Ele deixa viúva a senhora Maria Ferreira Sátiro Xavier, companheira de vida e de história, e três filhos: Davi, Daniela e Meire, que agora carregam consigo não apenas a saudade, mas o orgulho de terem feito parte da vida de um homem que tocou tantas outras.
O velório será realizado na Central de Velórios PAF Master, na Rua Horácio Nóbrega, no bairro Belo Horizonte, em Patos. O sepultamento ocorre às 9h deste domingo, 30, no Cemitério Santo Antônio, onde ficará guardado o corpo — mas jamais a voz nem o legado, que seguem vivos na cidade, na música e na saudade dos que o admiraram.
Hoje, Patos perde um ícone. Mas a música ganha uma estrela.
Que Antônio de Pádua descanse em paz — e que sua voz continue ecoando eternamente no coração de sua terra.
Marcelo Negreiros – Jornalista
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