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O legado das Ligas Camponesas volta ao debate e desafia Lucas Ribeiro a se posicionar

O assassinato da líder sindical Margarida Alves permanece como uma das páginas mais dolorosas da história social da Paraíba. Símbolo da resistência camponesa, Margarida Maria Alves foi morta em razão de sua atuação firme na defesa dos trabalhadores rurais, tornando-se referência na luta por justiça social e direitos no campo.

Assim como João Pedro Teixeira, outro nome emblemático das Ligas Camponesas, Margarida passou a integrar a memória dos que tombaram em defesa da dignidade dos que viviam da terra. Ambos foram vítimas de um período marcado por conflitos agrários, disputas fundiárias e denúncias de violência envolvendo latifundiários paraibanos.

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No caso do duplo homicídio, o fazendeiro e político Agnaldo Veloso Borges foi apontado como principal acusado de ser o suposto mandante. Ele nunca chegou a responder judicialmente pelos crimes. A ausência de uma conclusão definitiva mantém o episódio como uma ferida aberta na história política do estado.

Décadas depois, o tema ressurge no debate público em razão da projeção política do vice-governador Lucas Ribeiro, bisneto de Agnaldo Veloso. À época dos fatos, Lucas sequer havia nascido. Ainda assim, por ocupar posição de destaque na política estadual e ser apontado como possível futuro governador, cresce a cobrança para que manifeste uma posição institucional sobre o passado histórico.

Filho da senadora Daniela Ribeiro e sobrinho do deputado federal Agnaldo Ribeiro, Lucas integra uma família com trajetória consolidada na vida pública. Não há registros que vinculem os atuais membros da família a episódios de violência. A responsabilidade penal é sempre individual e não se transmite entre gerações.

No entanto, o debate político contemporâneo recoloca em evidência o histórico das Ligas Camponesas na Paraíba e os episódios de violência que marcaram o campo. O tema ganha novo fôlego em um contexto nacional de cobrança por responsabilização de crimes políticos, como ocorreu no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, que resultou na condenação de mandantes e executores.

A memória de Margarida Alves e João Pedro Teixeira permanece como símbolo de uma época em que lideranças populares foram perseguidas por enfrentarem interesses econômicos e fundiários. O debate atual não trata de herança jurídica, mas de memória histórica, transparência política e da necessidade de diálogo permanente com os trabalhadores do campo.

Para as novas gerações, conhecer esses episódios é parte fundamental da compreensão da formação política e social da Paraíba. Em um cenário de sucessão estadual, o eleitorado tende a avaliar não apenas propostas futuras, mas também como os líderes lidam com os capítulos sensíveis da história.

O julgamento, como sempre, caberá ao eleitor paraibano.

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